A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

Bertolt Brecht, dramaturgo alemão, acredita que o pior analfabeto é o “analfabeto político”, pois ele não participa de nenhum acontecimento do ramo e se orgulha ao dizer que odeia política. Nesse sentido, alguns jovens se encaixam nesse contexto, não por odiarem, mas sim por estarem desiludidos. Assim, há a necessidade de mudar essa situação com o incentivo e a ampliação da participação da juventude brasileira na política.

Primeiramente, é importante ressaltar que um terço do eleitorado brasileiro, aproximadamente 45 milhões de pessoas, é composto por jovens de 16 a 33 anos, de acordo com uma pesquisa do Instituto Data Popular. Esse é um número extremamente significativo, capaz de transformar a sociedade. Entretanto, os costumes políticos antiquados e a corrupção constante diminuem o interesse deles pela política. Apesar disso, é possível perceber que mesmo insuficiente, em quantidade, os mais novos já geraram mudanças sociais, como os protestos de 2013 contra o aumento das tarifas do transporte público, no Brasil inteiro, que tiveram alguns resultados. Essa e várias outras ações comprovam que a integração juvenil gera resultado e, por isso, é imprescindível sua participação.

Outrossim, é necessário destacar a questão histórica. Nesse viés, nas décadas de 60 e 70, o Brasil vivia os “Anos de Chumbo”, momento no qual o envolvimento políticos dos jovens era expressivo, tanto porque o Estado brasileiro reprimia essa população por meio de censura e perseguição, quanto pelo fato de haver uma classe média com mais disposição para fazer política, como alguns cantores. Atualmente, a sociedade é mais individualista, os interesses são outros e isso pode acarretar o afastamento da pessoa das questões políticas. Assim, os indivíduos devem reconhecer que, apesar de os tempos serem diferentes, há ainda o que mudar na política atual e na futura, sendo os jovens os mais responsáveis pela mudança.

Diante do exposto, nota-se que há ainda alguns analfabetos políticos, principalmente jovens, os quais são uma camada fundamental na política. Dessa forma, assim como dizia Immanuel Kant, filósofo alemão, o homem é o que a educação faz dele, sendo necessário mudar a mentalidade juvenil. Para isso, o Ministério da Educação deve promover o ensino de política nas escolas, por meio da inserção da matéria na grade curricular do ensino médio, que seja abrangente para despertar o senso crítico dos alunos e alertá-los sobre sua importância no eixo político, com o intuito de fazê-los alfabetizados políticos e seres humanos melhores. Ademais, os políticos devem fazer uma abordagem mais voltada aos interesses dos jovens, por meio de comícios e palestras para apresentar seus projetos e incentivar o engajamento desse grupo na política, a fim de despertar o interesse em mais indivíduos.