A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

Na obra literária “1984” os jovens são desde cedo incentivados a participarem de eventos e organizações políticas, a fim de estarem sempre sob o controle do Partido, sendo a sustentação do sistema. Fora da Ficção, a questão da participação política do jovem no Brasil contemporâneo segue a mesma finalidade, mas em de maneira oposta ao do livro, através da baixa participação. Assim, dois dos pilares que sustentam a majoritária impopularidade política no país é a mentalidade social de silenciamento sobre o tema e a lacuna educacional na formação dos cidadãos.

Em primeiro plano, é valido reconhecer como esse panorama supracitado caracteriza-se em um problema a partir da perpetuação da opinião popular que política não deve ser discutida, e que é um assunto para poucos. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Foucault, no qual ele defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Dessa maneira, sabendo que a ausência de debates sobre política impede a plena formação de cidadãos atuantes nas causas sociais, caso não ocorra a superação de tal mentalidade e a maior interação da juventude nesse meio, o sistema permanecerá igual: com futuros adultos às margens de um incompreendido e turvo regime corrupto.

Em segunda  análise, vale salientar como a falta de ensinamento sobre a administração governamental no sistema de ensino brasileiro vai de encontro à plena formação da democracia. Sob essa ótica, como afirma a ativista e escritora Malala Yousafzai, “um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”. Sendo assim, como a educação configura-se a base de uma sociedade democrática, se nas escolas e universidades não abordarem politicagem de maneira teórica, será negligente não notar que essa ausência educacional resultará diretamente no baixo engajamento juvenil na política do território nacional.

Portanto, indubitavelmente, são necessárias medidas capazes de dirimir essa problemática. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com empresas privadas das redes sociais devem realizar um workshop anual nas escolas ensinando política para os estudantes, por meio de palestras realizadas por profissionais da área e professores de sociologia. Tais palestras devem ser webconferenciadas nas redes sociais do Órgão e aberta ao público através da #SomosTodosPolíticos, para que o conhecimento chegue à comunidade. Dessa forma, através da hashtag na internet e das palestras, a sociedade ganhará espaço na internet para compartilhar e adquirir conhecimento político de forma simples e efetiva. Por fim, como no livro de George Orwell, o governo aproximaria os jovens brasileiros da participação política, mas ao contrário da distopia, formando uma sociedade melhor.