A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

O novo sempre vem

Na Grécia antiga, berço da democracia, todas as pessoas consideradas como cidadãos podiam participar ativamente e deliberar sobre a vida coletiva na Polis. À condição de manifestado desinteresse pelo Estado, os gregos denominavam idiótes, de onde deriva o termo “idiota”. Ou seja, denominavam-se “idiotas” aqueles cidadãos que abdicavam de participar da vida pública/política na Polis, sobretudo quando envolvia situações consultivas e deliberativas. Em contrapartida, no Brasil de 2.020, debater política soa como “idiotice” para a grande maioria da população, que prefere abster-se de estudar sobre esse assunto, pois ainda é tido como um dos “assuntos proibidos” -juntamente com a religião e o futebol- em nossa sociedade. Tabu esse, que precisa ser quebrado.

Dados os últimos anos da trajetória política brasileira juntamente com os movimentos populares espontâneos encabeçados pelos jovens, têm-se na história recente do Brasil, os protestos de 2.013 (que se iniciaram devido ao aumento na passagem do transporte público e terminaram contribuindo para a quebra do respeito à democracia, representada pelo candidato Aécio Neves negando o resultado das eleições de 2.014) e as ocupações escolares em 2.016, movimento estudantil que inviabilizou os planos de reorganização escolar do então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Decerto, ambos os movimentos agregaram à história recente do Brasil. Todavia, percebe-se que em comum, além do uso massivo das redes sociais para sua organização, ambos possuíram bases frágeis resultantes da despolitização comum ao cidadão brasileiro.

A participação política do jovem no Brasil contemporâneo não é apenas construtiva, mas também se faz essencial para a manutenção e fortalecimento da democracia, visto a atual conjuntura política no cenário brasileiro.

Para que haja maior participação política do jovem, faz-se necessário contar com a Educação como agente de transformação social. O Ministério da Educação deve incluir na grade curricular disciplinas que introduzam ao jovem a importância da política e do seu direito de participar ativamente dela, não apenas com o voto, mas também cobrando aqueles que foram eleitos para que, de fato, haja o exercício consciente da democracia. Além de contribuir para o fortalecimento dos grêmios escolares e para a criação de “Parlamentos Jovens”, que discutam problemas escolares e tenham voz ativa na comunidade escolar, fazendo com que os jovens adquiram consciência de sua importância como cidadãos. Assim sendo, ao contrário da letra de Belchior em “Como Nossos Pais”, possamos ter a consciência de que o novo sempre vem e somos nós quem o construimos.