A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

No livro ‘‘Fahrenheit 451’’ de Ray Bradbury, é retratado uma sociedade futurista em que os bombeiros não possuem mais a função social de apagar incêndios – pois as casas são anti-inflamáveis. Estes profissionais, agora, são o arauto da felicidade, e para isso como nova atividade, queimam, sob denúncias, tudo que há dentro das casas desde que nelas hajam livros. O personagem Guy Montag é um bombeiro veterano que ao conhecer uma jovem garota  passa a perguntar-se sobre a atual situação de seu país. Nesse contexto vale analisar quais são as semelhanças entre o românce distópico e a  atual sociedade e o papel dos jovens na política brasileira.

Ray Bradbury retrata uma sociedade que, majoritariamente, vive feliz pois não precisa pensar, apenas ver os programas de tevê e socializar com as famílias virtuais. Clarissa é uma jovem que repugna tais costumes e apresenta seus pensamentos ao bombeiro Guy, mudando sua percepção de mundo e principalmente fazendo-o questionar-se sobre suas atitudes. O ser humano é curioso por natureza, antes porém essa necessidade de achar os por quês é mais acentuada na fase da adolescência e juventude. O jovem passa a interessar-se em política quando entende que tudo ao seu redor é regido por homens eleitos pela própria sociedade.

Em 1933, o nefasto ditador Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha e em seu discurso de posse enfatizava o papel dos jovens na sociedade alemã pois estes seriam o futuro do Reich, sendo assim, toda sua força política vinha da juventude. No Brasil, políticos tentam se aproximar da população entre 16 e 25 anos cada vez mais, apresentando ideologias unilaterais buscando a alienação pois assim então teriam um confiável apoio político em futuras eleições. Jovens são usados como massa de manobra pois podem despertar os que se negam à conhecer a política, da mesma forma que foi observada na obra de Ray Bradbury, onde Guy nega-se a queimar os livros e passa a lê-los.

Segundo o filósofo grego Sócrates: “existe apenas um bem, que é o conhecimento e apenas um mal, que é a ignorância”. É inadmissível que em uma sociedade tecnológica a informação inalterada e confiável não chegue a todos. O Ministério da Educação e Cultura (MEC) deve, portanto, regulamentarizar o ensino das escolas públicas, impondo a imparcialidade política de profissionais da educação acima de ideologias políticas pessoais, ensinando o jovem a buscar conhecimendo por sí só para assim então ter uma opinião que é unicamente sua e obtida por sua própria observação de mundo.