A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

Em 1992 ocorreu o movimento estudantil brasileiro chamado de caras-pintadas, em tal protesto, os estudantes se organizaram e foram às ruas para exigir o impeachment do presidente da época por conta de casos de corrupção, demonstrando um grande interesse pela política. Diferentemente do ano de 1992, no hodierno cenário político brasileiro, nota-se que a participação dos jovem está em queda,  isso ocorre ora por conta da falta de opção de candidatos com boas propostas, ora por conta da falta de estímulo à participação e ensino da política nas escolas. Tudo isso gera uma desilusão que muitos jovens têm da política contemporânea.

Em primeira análise, a dificuldade de encontrar candidatos com boas propostas corrobora o problema. De acordo com o sociólogo americano John Kenneth, “A política não é a arte do possível. Ela consiste em escolher entre o desagradável ou o desastroso”. Assim, por conta das propostas dos candidatos serem os principais motivos de um cidadão votar no mesmo, a falta de opção faz com que muitos indivíduos tenham que votar em um candidato, mesmo que ele seja ruim ou desonesto, gerando assim um desinteresse na política. Desse modo, urge a extrema necessidade de alterações estruturais para a ocorrência de um voto mais confiável, no qual o candidato seja honesto e com boas intenções, gerando um maior conforto social, não contribuindo com esse quadro deletério.

Ademais, o falho sistema de ensino - no que diz respeito à política - contribui para a desilusão do jovem. Isso se confirma com a permanência de um ensino tradicionalista, que exclui o ensino da política aos jovens. Estes, ao invés de serem incorporados à vida escolar para serem compreendidos e ressignificados como ferramentas úteis de estimulo ao pensamento crítico, não são explicados e discutidos sobre sua real importância. Logo, sem o conhecimento a respeito das possíveis maneiras de como a política funciona e de seus direitos nela presentes, o indivíduo torna-se vulnerável diante de tal cenário, o que prejudica a harmonia social e, por consequência, a plena vivência da cidadania.

Portanto, a fim de mitigar o problema, é necessário que o Ministério da Educação integre à grade curricular o ensino sobre política por meio da realização de projetos que expliquem e exemplifiquem como a falta de conhecimento e desinteresse sobre a política afeta o indivíduo. Tal ação deverá alertar os cidadãos para que eles se tornem mais autônomos sobre seus direitos e deveres. Além disso, o Governo Federal deve criar campanhas que sejam veiculadas às mídias, suas redes sociais e projetos a fim de estimular os jovens a participarem da política e esclarecer que a democracia precisa dessa importante parcela da população. Dessa maneira, os jovens terão estímulo, interesse e voltarão a ser participativos como no movimento caras-pintadas, em 1992.