A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/06/2020
Na série “The Society”, os adolescentes necessitam organizar a sua própria sociedade quando todos os adultos desaparecem da cidade, entretanto, encontram dificuldades ao tentar manter a legitimidade democrática do governo. Sob tal ótica, apesar do viés ficcional da série, a participação dos jovens nas decisões políticas é motivo de debate no mundo contemporâneo, uma vez que ainda encontra obstáculos para ser amplamente difundida. Diante disso, a cultura de descrença nos representantes e a ausência de uma educação política eficaz corroboram com o paradigma vigente.
Em primeira análise, vale salientar a convicção de um sistema político obsoleto e corrupto como contribuinte da reduzida participação dos jovens neste meio. Dessa forma, consoante ao pensamento do antropólogo Clifford Geertz, o ser humano está envolto por teias de significados e comunicações, sendo o seu conjunto a cultura de um povo. Sob esse viés, as gerações passam de pais para filhos a imagem de uma política “suja”, pela qual não compensa lutar, já que os representantes políticos almejam apenas o status social e os salários elevados, ou seja, esquecem de visar ao objetivo primordial de garantir o bem estar da sociedade.Com isso, é indubitável a perspectiva do jovem de um sistema que não está preocupado com a população do país, logo, a sua participação política é interpretada erroneamente como desnecessária e dispensável.
Outrossim, é lícito postular o déficit na introdução do jovem ocasionado pela ausência da educação política. Desse modo, de acordo com o filósofo grego Aristóteles, o homem é um “zoon politikon”, isto é, devido a sua capacidade de raciocinar, não pode ser compreendido fora da esfera púbica ou política. Contudo, apesar do cenário público estar presente desde o nascimento do indivíduo, esse não é frequentemente instigado a conhecer melhor tal esfera, ou seja, falta uma “formação” esclarecedora acerca do papel do cidadão, como as premissas acerca dos direitos e deveres do indivíduo. Assim sendo, é inconcebível a ausência de uma preparação adequada na vida política dos jovens, visto que é exigido da juventude atitudes e princípios os quais nunca lhes foram ensinados.
Urge, portanto, a necessidade de medidas que aspirem à participação dos jovens nas decisões políticas. Assim, é dever do Ministério da Educação, introduzir o projeto “Eu Eleitor” na grade curricular das escolas, por meio da parceria com Universidade Federais, as quais disponibilizariam bolsas de estudo para alunos de cursos como filosofia e história para atuarem em oficinas sobre o papel da política, como promover eleições de grêmios estudantis nas escolas. Com isso, a juventude estaria mais particularizada com tal universo, além de desenvolver o senso crítico necessário para decisões públicas futuras. Por conseguinte, o engajamento político de jovens não seria uma exceção ficcional.