A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

O mês de maio de 1968 ficou internacionalmente conhecido por ter sido um período de efervescência social que se iniciou a partir de protestos estudantis em Paris. Nesse sentido, a movimentação dos jovens possibilitou o despertar da sociedade para questões críticas e a ampliação de direitos na França. Entretanto, é nítida, no Brasil, a baixa participação política dos jovens na contemporaneidade. Dessa maneira, esse cenário distópico é fruto tanto da desilusão do envolvimento juvenil na política quanto da má gestão das tecnologias no combate a essa problemática.

Acerca disso, o dramaturgo Nelson Rodrigues descreve o complexo de vira-lata como a auto inferioridade do povo brasileiro ante as outras nações, devido à perda da copa do mundo de 1950. Dessa forma, semelhantemente ao complexo de vira-lata, os jovens brasileiros veem sua participação como pouco relevante e inferior, em uma país marcado pela corrupção e com os velhos e nocivos costumes políticos. Contudo, como observado nas manifestações de maio, o engajamento permitiu a dilatação dos direitos sociais, civis e políticos, como também uma melhor qualidade de vida à população. Logo, o desconhecimento pelos jovens, majoritariamente, do poder da mobilização social na política mantém essa realidade trágica.

Por conseguinte, a imprudência na utilização de recursos tecnológicos, como as redes sociais, caracteriza-se como um desafio, devido à capacidade comunicativa desse bem. Comprova-se, assim, pelo fenômeno da Primavera Árabe, em que a população do Egito, por exemplo, insatisfeita com o regime ditatorial promoveu, pelo Facebook, uma rede social, manifestações contra o governo. Assim, a perícia no uso desses instrumentos possibilita mudanças positivas para a sociedade.

Portanto, é evidente o dever de providenciar mecanismos para a participação política dos jovens no Brasil. Com efeito, essas ações devem ser propiciadas pelas escolas. Urge que o Ministério da Educação (MEC) promova ,nas escolas públicas e particulares, projetos educadores, por meio do contrato de profissionais, que realizam atividades lúdicas para a compreensão do tema pelos alunos. De maneira simultânea, buscar valorizar os direitos civis, sociais e políticos. Espera-se, sob tal perspectiva, que a falta da participação política dos jovens seja uma mazela passada na história, como também o complexo de vira-lata.