A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/06/2020
Graciliano Ramos, na sua célebre obra ‘‘Vidas Secas’’ retrata a difícil e tortuosa vida do protagonista Fabiano, que, desprovido ao acesso ao conhecimento acaba sendo humilhado e explorado por aqueles que detém o poder. Entretanto, apesar de ser tratar de uma ficção, o livro de Graciliano parece refletir, em parte, a realidade do século XXI, uma vez que, é limitada a participação - em especial dos jovens - na política brasileira. Nesse contexto, deve-se analisar como a falta de representatividade e o ensino tradicionalista corroboram na problemática.
A priori, a descrença no hodierno cenário político do país é o principal responsável pela limitada participação dos jovens na política brasileira. Isso porque, desde o início do republicanismo brasileiro, a politica é comodada pela elite. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o poder público articula-se de uma linguagem que cria mecanismos de controle e coesão, os quais aumentam a subordinação. Sob tal ótica, consta-se que o discurso homogênico, introduzido na modernidade, moldou o comportamento dos jovens brasileiros ao acreditar que a participação política se restringem a uma determinada parcela da sociedade. Por conseguinte, enfraquece o direito constitucional que todos os indivíduos têm o direito a participação ativa na política nacional.
Outrossim, o ensino tradicionalista - no que diz respeito às diversas formas de participação política - contribuem para a ocorrência do problema. Isso porque, apesar de assegurada na Lei de Diretrizes e Base de Educação, o estudo obrigatório da cidadania não é efetivada em grande parte das instituições educacionais do país. Com efeito, tal conjuntura é análoga à teoria do sociólogo Émile Durkmain, que preconiza que a escola é uma das instâncias da socialização. Logo, é vital apresentar não somente conteúdo, mas também noções de cidadania e senso crítico. Por consequência de tal desconhecimento, nota-se, no Brasil, cada vez com mais Fabianos e, consequentemente, o individuo não atinge a plena vivência da cidadania.
Verifica-se, portanto, a necessidade de ampliar a participação dos jovens na política brasileira. Com a finalidade de aumentar a representatividade desse grupo na política nacional, urge que o Ministério de Cidadania, deve propor, por meio de um projeto de lei entregue à Câmera dos Deputados, a criação de cotas para jovens nos partidos políticos. Ademais, o Ministério de Educação, em parceria com as escolas, com a finalidade de incentivar a participação política dos jovens, deve abordar, por meio de palestras, o funcionamento da infraestrutura política do país. Tal abordagem deverá contar com o treinamento dos professores sobre o assunto. Somente assim, será possível garantir uma melhora no quadro vigente.