A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/06/2020

No início da década de 2010, uma série de protestos que ficaram conhecidos como “Primavera Árabe” mostrou ao mundo o impacto do jovem nas mudanças sociais e acendeu uma centelha que culminou em protestos contra injustiças na política e contra a corrupção no mundo todo, inclusive no Brasil. Hoje, já tornaram-se claras as possibilidades de transformação graças a participação política do jovem no país, que usa a Internet como forte ferramenta de articulação, mas que não despreza a protesto nas ruas.

Primeiramente, cabe considerar as possibilidades abertas pelo mundo digital para a participação política. Desde as chamadas “Jornadas de Junho”, uma série de protestos que tiveram como estopim o aumento do preço da passagem na cidade de São Paulo, as redes sociais ganharam força para a organização de protestos, mas o seu uso vai além disso. Ferramentas como o “Ranking dos Políticos” ganharam notoriedade também ao detalhar o trabalho de diversos representantes eleitos, o que permite aos eleitores fiscalizar critérios como votos e a frequência de parlamentares e fazer escolhas mais conscientes. Dessa forma, o acesso à informação garantido pelos meios digitais revolucionou o modo do brasileiro de se relacionar com a política e o jovem, que representa a maior parcela dos usuários dessas ferramentas, estão no centro dessa mudança.

Essa participação virtual não impede, no entanto, a participação do jovem em protestos nas ruas. Embora manifestações nas redes sociais tenham seu espaço na cidadania, a juventude brasileira também utiliza as manifestações públicas como uma ferramenta constante para cobrar por transformações. Como exemplo, é possível citar a articulação, no ano de 2020, do movimento “Vidas Negras Importam”, que utilizou as redes sociais não só como forma de angariar apoio financeiro e divulgação, mas também como forma de organizar protestos contra o racismo em grandes centros como São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Assim, percebe-se que as articulações no meio digital não impedem as manifestações presenciais, e sim fomentam-nas.

Nota-se, portanto, a necessidade de permitir que o jovem se engaje na participação política. Para isso, o Ministério da Educação pode incluir temas de educação digital no currículo escolar de modo a permitir que crianças e adolescentes aprendam sobre o bom uso da Internet. Ademais, esse órgão pode também criar campanhas, com palestras e oficinas com líderes comunitários, para debater o papel do jovem na política e destacar a necessidade do voto consciente e das manifestações populares. Assim, será possível criar uma Primavera duradoura na política brasileira, com o florescer de uma sociedade mais justa.