A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/09/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à falta da participação política do jovem. Diante disso, apesar do papel crucial dessa faixa etária na história das transformações político-sociais nacionais, na contemporaneidade a juventude brasileira se mostra negligente e indiferente. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.

A princípio, a falta de conhecimento  apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse Contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se o público jovem  desconhece as diversas formas de participação política, sua visão será limitada. Dessa maneira, nota-se que a participação política dos indivíduos parece limitar-se à escolha dos representantes para os cargos eletivos entre os candidatos de vários partidos, realidade alarmante que dificulta a resolução do problema.

Outro ponto relevante nessa temática é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da falta de participação da juventude na politica, é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que há preconceito contra os jovens, vistos erroneamente, em sua totalidade, como alienados e irresponsáveis. Diante disso, percebe-se que esse esteriótipo leva à diminuição da participação da juventude na esfera política, pois essa população se vê incapaz de atuar politicamente. Portanto, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante e injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre as  diversas formas de participação política e a importância delas, bem como incentivar a formação de representantes e grêmios estudantis. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de ciências políticas. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.