A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/06/2020
A Ditadura Militar Brasileira, ocorrida entre os anos de 1964 à 1985, configurou-se na história do país como um período altamente autoritário, marcado pela contundente repressão política e pela quebra dos direitos constitucionais dos cidadãos. Concomitantemente ao aumento da arbitrariedade política, os movimentos de protesto contra o regime insurgiam desenfreadamente, em sua grande maioria, liderados e protagonizados por jovens universitários. Tendo em vista a grande mobilização juvenil durante a repressão militar, convém enfatizar que a participação política dos jovens na contemporaneidade encontra terra fértil no ambiente escolar, ademais, configura-se como elemento decisivo na manutenção da democracia.
A priori, é válido salientar que o primeiro contato do indivíduo com temas políticos é a partir do estudo e debate de acontecimentos históricos, propiciado pelo ambiente escolar. Durante o ano de 2016, estudantes de todo o Brasil ocuparam escolas e universidades em protesto à imposição de reformas no ensino, demonstrando assim, sua disposição e competência para se posicionarem diante da tomada de decisões políticas no país. Dessa forma, é evidente que a escola tem papel fundamental na construção do pensamento crítico do indivíduo, de forma tal que o estudante seja conduzido a refletir de maneira altamente avaliativa acerca dos acontecimentos políticos que o influenciam como cidadão brasileiro.
Por conseguinte, é inegável que a participação política dos jovens na sociedade contemporânea configura-se como um mecanismo extremamente importante para a manutenção da democracia brasileira. De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt “O poder nunca é propriedade de um indivíduo, pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido”. Nesse contexto, a contundente frase da pensadora alerta para a importância de compreender e participar da deliberação política de assuntos referentes à saúde, educação ou bem estar da população, exercendo assim, sua função de sujeito político, residente em uma sociedade igualitária e democrática.
Portanto, tendo em vista a magnitude relacionada à importância do jovem contemporâneo aplicar sua criticidade aos acontecimentos políticos de seu país, e exercer de forma plena seu direito democrático, torna-se indispensável a implementação de medidas que ampliem as condições para que esse exercício político continue ocorrendo. Assim sendo, urge que o Poder Púbico crie mecanismos com o objetivo de incentivar os jovens a participarem, enquanto cidadãos críticos, da vida política de seu país. Ademais, esse incentivo deve ocorrer em conjunto com as redes de ensino, que trabalharão a temática por meio da realização de discussões e palestras educativas em escolas e universidades. Logo, torna-se evidente que somente desta maneira, a população será, de forma direta, agente de sua democracia.