A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/06/2020
Em 2015, o número de solicitações para a retirada do Título de Eleitor pelos jovens foi o menor nos últimos dez anos, segundo dados da plataforma digital G1. Esse fato demonstra a fragilidade do sistema público de justiça, o qual por falta de investimentos em programas educativos de estímulo à maior participação política, gera o principal problema do país: desconhecimento acerca da importância do voto para o aperfeiçoamento da democracia. Assim, observa-se a necessidade de analisar os avanços e os desafios para uma possível solução da problemática.
A princípio, vale ressaltar o progresso obtido na luta para garantir o acesso ao posicionamento político por todos os grupos sociais. Mário de Andrade, importante poeta brasileiro, diz: “o passado é lição para se meditar, não para se reproduzir”. Tal assertiva faz referência ao período da Política do Café com Leite, quando o direito ao voto se restringia a homens com idade acima dos 24 anos, o que resultou na não democratização do acesso à participação política pelos brasileiros. Por tudo isso, ocorreu a criação do Voto Universal, o qual baseia-se não somente na disponibilização da igualdade de gênero na política, mas também na permissão de pessoas com 16 anos nas eleições.
Ademais, é indispensável destacar os obstáculos enfrentados para aumentar a inclusão do jovem na política do Brasil. Nesse sentido, semelhante ao ocorrido em 2015, inúmeros adolescentes estão se distanciando das questões políticas. Isso ocorre devido à falta de incentivos pelo Ministério da Justiça em palestras, gincanas escolares e propagandas midiáticas capazes de alertar a população sobre a importância de se posicionar politicamente. Considera-se essa situação grave, tendo em vista que não investir em projetos sociais de consicentização capazes de incentivar o aumento de jovens cadastrados no sistema eleitoral vai em desencontro com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo objetivo é garantir a manutenção da democracia de acordo com o posicionamento do eleitor.
Depreende-se, portanto, que ações a favor do aumento da participação política do jovem devem ser imediatamente iniciadas. Para tanto, o Ministério da Justiça, órgão responsável por garantir o acesso aos direitos constitucionais, deve investir em programas de educação social de estímulo ao conhecimento acerca do voto como ferramenta de manutenção da democracia brasileira, por intermédio da transmissão de aulas gratuitas nas principais redes sociais utilizadas no país, com o objetivo de sanar dúvidas acerca do processo eleitoral desde a solicitação do Título de Eleitor até a votação. Somado a isso, cabe ao Ministério da Educação tornar possível o surgimento dos “multirões da conscientização”, por meio da disponibilização de locais e horários em amplo território nacional, onde o estudante e sua família poderá ter acesso às informações sobre a democracia e a política.