A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/06/2020

Diretas já, emergência de antifascistas, manifestações de junho de 2013 e de junho de 2020.Tais acontecimentos ilustram a realidade da participação política por parte dos jovens do país, que, infelizmente, só ocorre de modo expressivo em momentos de extrema angústia e descontentamento no território nacional.Assim, ao realizar uma análise acerca dessa participação, hoje, percebe-se que ela não é intensa e constante, como deveria, em virtude da falha educacional e da modernidade líquida.

A priori, é necessário apontar como problemática a ausência de uma plano de educação que vise construir um cidadão crítico e autônomo.De acordo com o filósofo Immanuel Kant, um homem que não possua tais virtudes, estará fadado à menoridade.Sob essa ótica, os indivíduos, dotados da menoridade oriunda de uma escolarização ausente de criticidade, são incapazes de compreender verdadeiramente o mundo que os cerca e reconhecer os constantes males sociais, a fim de exigir soluções por meio da participação política.Dessa forma, é possível notar a necessidade de uma modificação no plano educacional do país, a fim de cumprir o ideal de jovens mais politizados no Brasil.

Além disso, é importante refletir sobre a modernidade líquida.O sociólogo Zygmunt Bauman utilizou esse termo para referir-se, dentre outros aspectos, às frágeis relações sociais em um mundo voltado para o consumo.Diante disso, o homem atual, que vivencia essa modernidade, tem um cotidiano extremamente acelerado, em virtude do trabalho, principalmente, para que seja capaz de acumular capital e consumir tudo o que deseja.Assim, o tempo para a coletividade torna-se escasso e, por conseguinte, a adesão à participação política só é amplamente observada, com manifestações de grande porte, em momentos que a qualidade de vida é afetada ao extremo, como no movimento Diretas Já, que exigiu voto direto em resposta aos quase 21 anos de governo ditatorial no território brasileiro.

Portanto, é preciso que o jovem brasileiro passe a ter maior atitude política, para que assim manifestações em massa sejam observadas com maior frequência, sem que haja a espera por dias piores para haver a atuação cidadã.Para isso, é de extrema importância que as escolas, por meio de atividades extracurriculares, promovam rodas de debate e leitura semanalmente para alunos a partir do oitavo ano, por possuirem maior maturidade intelectual, com o intuito de construir jovens mais autônomos e críticos, que abandonarão a menoridade kantiana e terão consciência da importância da luta pelo bem estar coletivo.Desse modo, as próximas gerações, se tornarão, pouco a pouco, mais engajadas politicamente.