A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 15/06/2020

O mês de junho do ano de 2013 foi marcado por diversas manifestações que, a priori, eram contra o aumento do preço das passagens do transporte público no território brasileiro. Os diversos protestos que ocorreram nas regiões metropolitanas, teve a participação principalmente de jovens, que foram para as ruas contestar os aumentos nas tarifas. Todavia, apesar do papel crucial dessa faixa etária na nas transformações político-sociais decorrentes das manifestações de 2013, na contemporaneidade, a juventude brasileira se mostra indiferente e isso se deve tanto à descrença na política brasileira, como pela falta de representatividade no contexto nacional.

Primeiramente, um dos principais fatores que desestimulam a participação do jovem na direção do Estado brasileiro, é o histórico de corrupção do país. Casos de aliciamento, suborno e proprina são comuns desde governos do século passado, como o fenômeno do coronelismo durante República do Café com Leite, superfaturamentos durante a Ditadura Militar de 64, e esquemas de corrupção se perpetuam até o contexto contemporâneo, como demonstra as diversas fases da Operação Lava Jato. Considerando tais antecedentes, o jovem atualmente vê a corrupção como uma Instituição no Brasil,  algo tão enraízado, que não pode ser mudado e portanto, isso leva diversos jovens ao desinteresse às questões política no país. Isso foi demonstrado por dados do Tribunal Superior Eleitoral de 2018, que relevou que apenas um em cada cinco adolescentes de 16 e 17 anos tirou título de eleitor.

Além disso, a participação juvenil na política tem outro obstáculo: a população jovem não se sente representada politicamente. Isso porque, o Brasil ainda perpetua suas heranças patriarcais, uma vez que o país continua sendo governado majoritariamente por pessoas mais velhas e do sexo masculino. O problema dessa falta de pluralidade nas tomadas de decisões públicas, é que as questões e posicionamentos dos jovens são colocados em pautas secundárias, não trazendo ideias inovadoras e que levem a mudanças concretas, passando a impressão que os políticos eleitos defendem apenas os próprios interesses. Sendo assim, a falta de representatividade política expressa a decepção com as pessoas que estão no poder e a forma que as decisões públicas são tomadas.

Logo, para aumentar a atuação da população juvenil na política, o Governo Federal, por meio de decretos, poderia impor aos partidos políticos a implantação de políticas afirmativas, isso é, criação de cotas para jovens nos partidos. Isso visa garantir que todos os partidos tenham um número mínimo de jovens e dessa maneira, aumente a pluralidade do cenário político brasileiro. Essa ação iria fazer com que a população mais nova sinta-se de fato representada, aumentando assim a participação dessa faixa etária, por despertar nestes, o mesmo interesse na política que tinham os jovens em 2013.