A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 27/08/2020

A participação política da juventude brasileira é imprescindível, haja vista o papel transformador protagonizado por tal segmento social. Em contrapartida, apesar deste ativismo em potencial, os jovens restringem sua participação política à esfera digital, tendo em vista uma desinformação educacional maciça acerca do funcionamento político-burocrático do Brasil, associado a um comodismo letárgico diante do quadro de precariedade sócio-institucional. Nesse sentido, a necessidade de empoderamento do espectro social para conquistar o cumprimento de seus direitos civis é um ato político, o qual foi possível observar em circunstâncias de omissão do Poder Público.

Nesse contexto, sob o entendimento sociológico de Max Weber, todos os cidadãos são responsáveis em corroborar ao funcionamento da coletividade, pois o indivíduo é um agente político. Dessa maneira, destaca-se o movimento juvenil “Diretas Já”, de 1984, o qual lutou pelo voto direto para eleições presidenciais; isto evidencia a importância da articulação juvenil em prol de um intervencionismo tanto na micropolítica, em aspectos regionais, quanto na macropolítica, sobre o exercício do direito de reivindicação democrática, como no movimento citado. Logo, observa-se a atuação política do jovem em favor do desenvolvimento nacional, mediante sua postura proativa.

No entanto, em contraste ao posicionamento dos jovens da década de 80, a atual parcela dos engajados politicamente está acomodada a um ativismo cibernético, ou seja, manifestações de opiniões e reivindicações pelas redes sociais. Nesse ínterim, tal quadro pode ser confirmado pelos dados da Justiça Eleitoral, os quais explicitam diminuição da quantidade de jovens eleitores na faixa dos 16 aos 17 anos - período cujo voto é opcional. Dessa maneira, tal conjuntura tem raízes na débil educação política do Brasil, bem como no alheamento do jovem à temática, haja vista que a disponibilidade na internet de fundamentos políticos não significa no aprofundamento do conhecimento internalizado. Enfim, a consciência política da juventude é rasteira e superficial, pois ela não sabe como intervir na realidade que a cerca, e tão pouco se sensibiliza em atuar para melhoramento da coletividade.

Portanto, o Ministério da Educação, como agente responsável pela instrução cívica e intelectual, deverá fundamentar a elucidação política da juventude, no que cerne as teorias básicas da Ciência Política. Ademais, tal ação deverá ocorrer pela elaboração de oficinas interativas e interdisciplinar entre História, Filosofia e Sociologia, por intermédio da criação de pautas engajadas na Base Comum Curricular. Além disso, as pautas deverão esclarecer maneiras pelas quais o jovem pode atuar na realidade que o cerca e atraí-lo a debates e fóruns de discussão nas escolas, através da Lei das Diretrizes e Bases da Educação. Assim, a participação do jovem contemporâneo será efetiva.