A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 15/06/2020

O mês de junho do ano de 2013 foi marcado por diversas manifestações que, a priori, eram contra o aumento do preço das passagens do transporte público no território brasileiro. Os diversos protestos que ocorreram nas regiões metropolitanas tiveram a participação principalmente de jovens, que foram para as ruas contestar os aumentos nas tarifas. Todavia, apesar do papel crucial dessa faixa etária na nas transformações político-sociais decorrentes das manifestações de 2013, na contemporaneidade, a juventude brasileira se mostra indiferente e isso se deve tanto à descrença na política brasileira, como pela falta de representatividade no contexto nacional.

Primordialmente, um dos principais fatores que desestimulam a participação do jovem na direção do Estado brasileiro é o histórico de corrupção do país. Casos de aliciamento, suborno e propina são comuns desde governos do século passado, como o fenômeno do coronelismo durante República do Café com Leite e esquemas de corrupção se perpetuam até hoje, como demonstra a Operação Lava Jato. Considerando tais antecedentes, o jovem atualmente vê a corrupção como uma Instituição no Brasil, algo tão enraizado, que não pode ser mudado e portanto, isso gera o desinteresse dos jovens às questões política no país. Isso foi demonstrado por dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2018, que indicaram que apenas um em cada cinco adolescentes de 16 e 17 anos tirou título de eleitor, mostrando que de fato, essa faixa etária não tem preocupação em exercer seus direitos políticos.

Além disso, a participação juvenil na política tem outro obstáculo: a população jovem não se sente representada politicamente. Isso porque o Brasil ainda perpetua suas heranças patriarcais, uma vez que o país continua sendo governado majoritariamente por pessoas mais velhas e do sexo masculino, segundo a mesma pesquisa de 2018 do TSE. O problema dessa falta de pluralidade nas tomadas de decisões públicas é que as reivindicações do público jovem são colocados em pautas secundárias, não trazendo ideias inovadoras e que levem a mudanças concretas, passando a impressão que os políticos eleitos defendem apenas os próprios interesses. Sendo assim, a baixa representatividade expressa a decepção com os políticos eleitos e a forma que as decisões públicas são tomadas.

Logo, para aumentar a atuação da população juvenil na política, o Governo Federal, por meio de decretos, poderia impor aos partidos políticos a implantação de políticas afirmativas, isso é, criação de cotas para jovens de 18 a 24 anos. Isso visa garantir que todos os partidos tenham um número mínimo de jovens filiados e dessa maneira, aumente a pluralidade do cenário político brasileiro. Essa ação iria fazer com que a população mais nova sinta-se de fato representada, aumentando assim a participação dessa faixa etária, por despertar nestes, o mesmo interesse na política que tinham os jovens em 2013.