A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/07/2020

Na Grécia Antiga, o direito ao voto era censitário, isto é, feito apenas por homens donos de terras. Na contemporaneidade, tal benefício ganhou bastante amplitude populacional, inclusive, aos menores de idade, os quais têm substancial importância ao desenvolvimento social, que atualmente recusam-se a votar, o que traz debate sobre a colaboração deles a esse sistema. Para isso, o descrédito civil com os partidários e a omissão escolar reverberam esse cenário estarrecedor.

Como supracitado, o desdouro da sociedade com a direção estatal tornou-se um embargo. Trata-se de um corpo social inconformado com os estadistas— que pregam discursos utópicos em épocas eleitorais —, mas não cumpre suas promessas ao exercer seus mandatos. Como resultado, jovens afastam-se de debates cívicos, promovendo a sanção de atos de corrupção, já que os políticos sabem que não serão cobrados, e um incentivo a demagogias institucionais. Prova disso são dados do Jornal O Globo, o qual afirma sobre só 1/5 dos jovens, entre 16 a 18 anos, haviam tirado o título de eleitor, em 2018. Logo, essa deflagração da cidadania juvenil pode fomentar vindouros problemas sociais.

Ademais, a negligência do ambiente estudantil impulsiona esse caos. Segundo o Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade; sem ela tampouco mudará. A frase do filósofo assemelha-se a falta de debates, dos educadores com os alunos, sobre como funciona as estruturas do governo—, seja pela incompreensão familiar, a respeito da relevância de argumentar sobre questões governamentais—,ou da própria escola, amedrontada de situações “polêmicas”, as quais na verdade deveriam ser vistas como benéficas à ascensão social, como melhorias na saúde e educação. Eventualmente, autoridades, nomeadas a esses cargos públicos, veem nisso um alicerce para desvios de dinheiro público e até aprovar atos contra à democracia. Nisso, se um lecionador não prepara seu aluno para dialogar e cobrar seus direitos, ele realça a falha de mudança descrita por Freire.

Destarte, é fulcral instigar a participação da população juvenil na política. Nesse caso, urge que o Ministério da Educação e as secretarias municipais implementem um ensino cívico nas escolas, com treinamento para os professores sobre como explicar as estruturas partidárias aos alunos, criar aplicativos no intuito de ver quais projetos estão em tramitação no congresso e ensiná-los, por meio de aulas de sociologia, cartazes e slogans, sobre como mobilizar-se contra atentados à democracia. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda da seara midiática a fim de motivar os pais a debaterem a cerca da relevância do voto facultativo nas eleições, mostrar que seus votos são responsáveis por um futuro próspero ou não, por meio de videoaula nas redes sociais, feitas pelos digitais influencers, que busquem reivindicar melhorias de saúde e educação, assim, amenizar-se-á atos de corrupção no país.