A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 20/03/2021

De acordo com Immanuel Kant, “o indíviduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal”. Entretanto, há uma contradição entre a citação de Kant e as atitudes dos jovens contemporâneos brasileiros, uma vez que esses percebem e conhecem as dificuldades enfrentadas, em diversos âmbitos, principalmente político, pela nação onde vivem, mas, na maioria das vezes, se recusam a tentar alterar essa realidade. Assim, a problemática é agravada devido à falta de debate em torno do tema e à falta de interesse no passado histórico do Brasil.

Em primeiro plano, há a questão da falta de debate em relação ao tema. Tal como Pierre Bourdieu afirmou, “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Nesse sentido, pode-se dizer que os jovens brasileiros evitam discutir ou se aproximar da política devido a desilusão que sofrem diariamente, como: familiares os quais realizam criticas constantes à política, ou nas redes sociais, um lugar propício à brigas de partidos opostos via internet. Dessa forma, ao invés de democracia, como afirma Bourdieu, o meio online e social/familiar se tornou um ambiente opressivo o qual sempre aponta para a imutabilidade da política do Brasil. Deste modo, os jovens sentem-se incapacitados de discutir sobre o tema, já que, na visão imposta à eles, uma solução nunca será encontrada.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a falta de interesse histórico no passado brasileiro. Segundo George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”. Dessa maneira, é viável afirmar que o não entendimento sobre a formação social e econômica do país, agrava a compreensão do jovem a respeito, principalmente, da política, pois é criada uma visão de que sempre foi e sempre será assim. Todavia, o Brasil possui uma corrente de transformações interligadas desde a era colonial, a qual justifica o funcionamento governamental do século XXI na nação. Contudo, como não existe interesse por parte dos brasileiros, especialmente os mais jovens, nessa ideia, a percepção de imutabilidade política permanece.

Diante disso, uma solução faz-se necessária. Para isso, o Ministério da Educação deveria, por meio de reservas em espaços públicos, como praças ou salões, promover palestras e debates com professores e outros especialistas, voltados aos jovens entre 16 e 25 anos sobre o atual estado da política no país, de forma argumentativa e respeitosa, a fim de quebrar o silenciamento em torno do assunto. Ademais, as mídias sociais deveriam divulgar contas de Facebook e Instagram as quais tratam de política, com o propósito de aproximar mais o jovem com esse conceito no dia a dia. Em suma, garotos e garotas brasileiros perderão o medo de participar da política e perceberão seu poder de melhorar o Brasil.