A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 14/07/2020

Na década de 1960 ocorreu o movimento Hippie, responsável por propor mudanças no comportamento social e pelo rompimento com as formas tradicionais de organizar a vida cotidiana, no qual os jovens mostraram que não estavam dispostos a viver a maneira tradicional e conservadora das famílias daquela época. Nesse contexto, percebe-se que apesar do papel crucial da mocidade na história das transformações político-sociais nacionais, na contemporaneidade a juventude brasileira se mostra negligente e indiferente à questão, seja pela desilusão gerada pela atual situação nacional ou pelo preconceito imposto a essa nova geração que é julgada erroneamente, em sua totalidade, como alienada e rebelde pela sociedade brasileira.

Primeiramente, um entrave é o descrédito em relação aos políticos e a política, pelos adolescentes, devido, à corrupção, deslealdade e uma reputação na sociedade muitas vezes indesejada. Fato contrário ao que ocorria no passado, como pode ser visto na obra de Machado de Assis “Memórias póstumas de Brás Cubas” em que se percebe que o  cargo público era muito cobiçado, motivado pela família e prestigiado pelo povo. Diante disso, nota-se um enfraquecimento no desejo pelo poder ao longo dos anos que, somado ao desinteresse do assunto, resultou no comodismo dessa faixa etária.

Outro fator que influência no limitado envolvimento político desses jovens cidadãos é a mentalidade retrógrada de parte da população, que os vê como incapacitados e inexperientes para tomar decisões governamentais. A razão disso é a falta de acesso a uma educação de qualidade que valorize os conceitos de cidadania, acarretando em uma indiferença quanto a questão pública do país, que leva tanto à consolidação do cenário de crise social, política e econômica, quanto à ameaça da cidadania desses indivíduos.

Portanto, a fim aproximar o  jovem ao cenário político, o Ministério da Educação, por meio das instituições de ensino, deve inserir no planejamento institucional - nas matérias de geografia, história, filosofia e arte - a abordagem da questão política fora do senso comum, da diversidade de formas de envolvimento  política e do histórico de participação política da juventude nos grandes eventos nacionais, de maneira que, ao conciliar a questão política ao processo de aprendizagem, o estudante chegue na adolescência preparado para participar, direta ou indiretamente, da política brasileira.