A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 19/07/2020
“Somos os filhos da revolução/ Somos burgueses sem religião/ Somos o futuro da nação”. Assim canta Renato Russo em “Geração Coca-Cola”, música que tornou-se um símbolo da juventude que lutou contra o autoritarismo durante o regime militar no Brasil. Apesar da grande contribuição para as transformações no status quo do país, observa-se na contemporaneidade um preconceito em relação à participação do jovem na política e a sua desilusão com o modus operandi da política tradicional, seja pelos escândalos de corrupção ou pela falta de representatividade.
Por um lado, os avanços tecnológicos revolucionaram a maneira de expor opiniões e de protestar, tornando possível que manifestações políticas na rua migrassem para o mundo virtual das redes sociais, como resultado, isso poderia ampliar o diálogo entre jovens e partidos políticos. A grande presença online da juventude, ao tratar-se de questões políticas, é evidente e pode ter impactos além da internet, como evidenciado quando “kpopers’’( fãs de pop coreano) e “tiktokers”(usuários de um aplicativo) utilizaram das redes sociais, através de hashtags, para incentivar o boicote a um comício de Donald Trump. Entretanto, ainda existe uma recusa por parte dos políticos em aceitar tais modos de participação que diferem dos métodos convencionais. Assim, há dificuldades em alcançar o jovem de forma direta, contribuindo para seu descrédito e instalando uma crise de representatividade.
Dentro desse contexto, é importante ressaltar também a persistência de preconceitos à juventude, fomentado por uma suposta alienação. Contudo, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, os jovens brasileiros são mais informados do que seus pais. Dessa forma, o problema reside não na falta de informação, mas de incentivo para agir nas revindicações por seus direitos. Sob esse viés, é fundamental a aplicação do conceito de educação libertadora de Paulo Freire, em que a educação possui o papel de conscientizar os indivíduos a fim de transformar a realidade, libertando-se da situação em que se encontra, nesse caso, de voz passiva na política.
Portanto, cabe às escolas demonstrar as diversas maneiras de ações políticas durante a História, através de aulas realizadas por professores treinados para abordar essas questões, com o objetivo de incentivar o interesse dos jovens na participação política. Além disso, devem ser organizados, nas redes sociais, grupos de discussões com a juventude acerca de problemas atuais da sociedade brasileira, em uma ação conjunta entre ONGs e o MEC, a fim de facilitar o diálogo entre jovens e representantes de partidos políticos, para que exerçam sua cidadania de forma crítica e, assim, construir uma sociedade mais justa e democrática, uma vez que eles são o futuro da nação.