A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 22/07/2020
Diretas Já, Passeata dos Cem Mil, Jornadas de Junho. Esses foram alguns dos eventos históricos nos quais a juventude brasileira se mobilizou em prol da cidadania, o que mudou o curso da administração do país. Apesar de terem uma função primordial nas transformações político-sociais, os jovens têm se distanciado dessas causas e se mostram indiferentes sobre o assunto. Nesse caso, a apatia e o comodismo pode acarretar na consolidação do quadro de crise social, política e econômica, por isso, faz-se necessário o debate acerca da participação dessa faixa etária na política.
Primeiramente, a negligência da população jovem em relação à política se dá pela desconfiança nos representantes do Governo, herdada por conta do grande histórico de corrupção e da má prática da política no Brasil. A partir dos números do Cadastro Eleitoral, prova-se esse desalento: os eleitores de 16 e 17 anos reduziram em 2018 e representam menos de 1% dos votantes. Além disso, devido ao desconhecimento dos diversos mecanismos de engajamento político, muito se crê que o voto é a única maneira de fazer mudanças nesse cenário. Ao contrário da crença comum, as audiências e ouvidorias públicas, as manifestações populares e até o ativismo pela Internet podem fazer a diferença na busca por direitos e cidadania.
Segundamente, é preciso enfatizar as consequências que o afastamento dos jovens do meio político trazem para a sociedade brasileira, uma vez que a falta de cobranças e manifestações de descontentamento aos governantes favorecem a manutenção da crise social e econômica. Como cidadãos, é dever desses indivíduos exercerem o seu papel na democracia brasileira a fim de satisfazer as necessidades da população. Como na Grécia clássica, o “idiota” era a pessoa que preenchia os requisitos para participar da vida pública e não o fazia. Assim, deve-se estimular essa juventude para que vejam o processo político como um caminho legítimo de transformações sociais e que instiguem a preocupação social coletiva.
Por fim, após frisar a importância da participação dos jovens nas esferas do poder público, é fundamental que essa prática seja encorajada. O Ministério da Educação deve promover o treinamento de professores por meio de oficinas ministradas por especialistas na área, com o propósito de abordar a política de forma qualificada nas escolas e que valorizem os conceitos ligados à cidadania. Ademais, é encargo das instituições de ensino mostrar o histórico de participação da juventude em grandes eventos nacionais e a diversidade de formas de participação nesse meio, com o intuito de que a desinformação e o individualismo não seja mais uma característica dessa geração.