A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 05/08/2020
Em 2020, eclodiu na internet o movimento “Adia Enem”, que consistia no desejo de grande parte do público jovem em adiar a prova do Enem por conta da pandemia do Coronavírus. Nesse sentido, torna-se evidente o poder de transformação dos jovens no contexto da participação política. Entretanto, no Brasil, em pleno século XXI, ações desse tipo são pouco recorrentes, visto que a alienação dessa faixa etária e os contantes escândalos de corrupção dos representantes brasileiros fazem com âmbito político seja visto como pouco relevante.
A priori, é válido destacar que a falta de criticidade dos jovens em relação a historicidade e atualidade da cidadania e da política nacional é um dos “antígenos” que bloqueiam a atuação plena desse grupo. Na obra “Raízes do Brasil”, do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, é apresentado o conceito do “Homem cordial”, o qual faz referência ao fato de que o povo brasileiro tende a tomar decisões seguindo a emoção ao invés da razão. Com isso, tal expressão pode ser diretamente relacionada à atividade dos jovens no cenário político, já que o senso crítico a respeito dos direitos e deveres não são trabalhados com frequência nas instituições de ensino básico. Logo, é imprescindível que os órgãos educacionais estabeleçam formas de garantir que a racionalidade circule entre os adolescentes.
Além disso, existe outro “coeficiente” que impossibilita o envolvimento político dos jovens nacionais. A crise de representatividade, acentuada pelos incontáveis esquemas desvirtuosos, é uma das drogas responsáveis por eclodir uma overdose de descrença e, consequentemente, uma pequena ou nenhuma cooperação política por parte dos indivíduos de idade intermediária. O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, afirmou que “a corrupção no Brasil é um problema endêmico”. Dessa maneira, os jovens são acometidos por um ciclo vicioso pautado no descrédito do sistema político e na sensação impotente de suas participações, dado que diante desse panorama “assustador”, estes não se sentem capazes de gerarem mudanças significativas para a nação.
Em suma, medidas precisam ser tomadas para atenuar tais impasses. O Ministério da Educação deve, por meio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular, implementar aulas obrigatórias de Filosofia e Sociologia nas escolas de todo o país, a fim de que o pensamento racional se perpetue entre os jovens. Cabe também ao Ministério da Justiça, por intermédio das Secretárias de Segurança Pública de cada estado, criar delegacias específicas para punir os governantes corrompidos pela corrupção, com a finalidade de fomentar uma política virtuosa e passível da participação da comunidade jovem. Dessa forma, esse “batalhão” participará de forma concreta e episódios análogos ao “Adia Enem” serão normais.