A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/08/2020

No livro “Eu Sou Malala”, de Malala Yousafsai, é retratada a autobiografia de uma garota nascida no Paquistão que lutou contra a restrição do direito à educação às mulheres em seu país a partir do engajamento político. Não obstante essa obra apresentar um caráter transformador no que concerne à importância da participação nas questões públicas, é indubitável que há um contraste entre a trajetória dessa ativista e os jovens brasileiros contemporâneos, visto que estes se encontram, majoritariamente, alijados da esfera política. Sob essa ótica, é primordial analisar o papel do individualismo nesse aspecto, bem como os efeitos do ineficaz estímulo à formação da opinião dessa parcela da população.

É imperioso salientar, a princípio, que a participação de jovens na esfera pública deve ocorrer mediante a consolidação do patriotismo e do coletivismo, haja vista que essas virtudes fomentam a coesão social e o consequente estabelecimento de mudanças em prol da população. Tal fenômeno vai de encontro ao conceito de “Modernidade Líquida”, o qual foi proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman e evidencia que as relações interpessoais presentes na sociedade pós-moderna são voláteis e caracterizadas pela valorização do individualismo. Nessa perspectiva, denota-se que essa fluidez está diretamente atrelada ao inexpressivo engajamento político desses indivíduos, que, reiteradamente, se mostram indiferentes quanto a esse âmbito e não promovem efetivas transformações sociais no país.

Ademais, infere-se que a formação da opinião constitui um dos fatores intrínsecos à efetivação da participação dos jovens brasileiros na esfera política, uma vez que eles precisam ter a capacidade de discernir e lutar contra as mazelas sociais vigentes na sociedade. Essa questão é ratificada pelo conceito de “Esclarecimento” para o filósofo Immanuel Kant, que pode ser definido como a saída de uma pessoa do estado de menoridade a partir da consolidação da autonomia crítica e do uso público da razão. Em contrapartida, observa-se que o ineficaz estímulo à formação da opinião desses indivíduos por parte das famílias e das escolas dificulta a efetivação do engajamento publico juvenil, o que constitui um obstáculo para que eles atinjam o estado de maioridade, conforme foi proposto por Kant.

Depreende-se, portanto, que a ausência do coletivismo e da formação da opinião dos jovens dificultam a sua participação política. Posto isso, com vistas a subverter esse paradigma de indiferença juvenil quanto às questões públicas, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de subsídios governamentais, campanhas que deverão ser expostas nos principais canais de televisão. Essa medida deverá orientar os telespectadores acerca da importância da consolidação da autonomia crítica dos jovens na promoção de transformações sociais, dando ênfase à desconstrução do individualismo. Somente assim, poder-se-á desfazer o contraste existente entre a realidade e o livro “Eu Sou Malala”.