A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/12/2020

Em junho de 2013, grandes manifestações tomaram as ruas em favor de prestação de serviços de qualidade no Brasil. As Manifestações dos 20 centavos foram, em sua maioria, compostas por jovens que contaram com a mobilização nas redes sociais. Passados 5 anos, é possível verificar que os protestos de 2013 refletiram nas eleições seguintes, entretanto, a participação política desse grupo no Brasil ainda não é atingida em sua completude, seja por uma descrença histórica no poder de mudança da política ou na visão estigmatizada que recai sobre essa parcela da população.

Primeiramente, é válido ressaltar que há um cepticismo na efetividade dos processos políticos. Tal sentimento é reflexo dos primeiros anos da república brasileira, quando o voto não era secreto e manipulado em favor das grandes elites. Nesse sentido, o voto de cabresto exerceu grande influência na descrença para os processos democráticos, o que resultou em uma “Democracia Delegativa” - conceito cunhado pelo cientista político Guillermo O’Donell - na qual a população elege um partido sem cobrar e fiscalizar suas ações, delegando, assim, toda a responsabilidade de transformação. Dessa forma, é possível compreender que os históricos controles no processo democrático afastam os jovens do desejo participativo, resultando assim em uma transmissão de responsabilidade.

Em contrapartida, ao superar as cicatrizes da República brasileira, a participação política na juventude - dado a imagem depreciada de suas ideias, tidas como idealistas e irreais - é pouco aceita para cargos eletivos. Tal como demonstra o Tribunal Superior Eleitoral, que por pesquisa constatou que a média de idade no congresso federal é 49 anos. Vê-se, pois, o reflexo do pensamento popular na ausência de representatividade jovem na democracia, resultando, assim, na manutenção do status-quo muito criticada pelas jornadas de junho de 2013.

Portanto, diante da escassa atuação política do jovem faz-se necessário medidas para atenuar tal problemática. Para isso, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as escolas de ensino médio, a difusão do conhecimento sobre os processos democráticos e as diversas formas de atuação política. Por meio de aprimoramento das matérias de filosofia e sociologia, com o objetivo de desmistificar e acender o anseio para a participação e não delegação política. Ademais, é necessário que o Tribunal Superior Eleitoral crie cotas para candidaturas com idade inferior a 30 anos, com a finalidade de aumentar a representatividade e incentivar a participação desse grupo. Com isso, será possível promover uma maior atuação jovem na política e ultrapassar as atividades para além de manifestações e reivindicações.