A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 27/08/2020
Na década de 80, a ditadura sofreu um enfraquecimento e começaram a surgir movimentos de caráter popular pelo retorno da democracia, como as “Diretas Já”, que tiveram na população mais nova um apoio fundamental. No entanto, atualmente é visto uma queda na participação política dos jovens. Esse cenário ocorre não só em razão da juventude não compreender a importância do seu papel social, bem como a descrença no sistema de governo vigente.
Em primeira análise, é importante ressaltar a falta de confiança por parte do eleitorado quanto aos seus representantes. Nesse contexto, destaca-se a ausência de representatividade no âmbito político. Segundo o instituto Ipsos, 94% dos brasileiros não consideram os políticos que estão no poder um espelho da sociedade. Dessa maneira, por não terem causas em comum, principalmente com relação aos jovens, suas ações visam apenas manter os privilégios dos membros do seu ciclo. Logo, a juventude acredita que a classe política representa apenas a si mesma e não o país como um todo, contribuindo para o sentimento de cepticismo.
Além disso, é notável a ausência de reconhecimento por parte da juventude com relação a sua relevância. De acordo com o TSE, um em cada cinco adolescentes de 16 e 17 anos tirou o título de eleitor em 2018, revelando uma certa ignorância da parcela da população mais nova sobre a sua importância. Dessa forma, é interessante mencionar que um terço do eleitorado é composto por jovens, de modo que, seus votos são decisivos numa eleição e capazes de alterar o futuro do país. Sob essa ótica, é válido citar o filósofo Aristóteles, o qual afirmava que era necessário colocar o bem comum como prioridade em detrimento do bem particular. Assim, é imprescindível que a mocidade desenvolva um senso de comunidade e adote uma postura ativa no cenário político.
Diante do exposto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com escolas públicas e privadas, desenvolvam um aplicativo que ensine de maneira simplificada para os alunos como um governo democrático funciona, dando foco para cada função da esfera política e demonstrando a importância da participação efetiva da juventude nas questões políticas, para que, assim, quando tiverem idade suficiente, saibam escolher seus líderes de maneira consciente. Paralelamente, o TSE, em época de eleição, deve realizar campanhas publicitárias nas suas mídias sociais, trazendo celebridades da internet, com o objetivo de chamar a atenção dos jovens e incentivar os novos eleitores a tirar o título. Só assim, será possível que a mocidade reconheça seu papel social e volte a expressar seus ideais como no período das “Diretas Já”.