A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 28/08/2020
Apesar da história do Brasil ser marcada por diversos conflitos políticos, grande parte dos embates, como Inconfidência Mineira, processo de independência e proclamação da república, não tiveram participações populares significativas. Especificamente, embora o Brasil tenha uma população jovem, a adesão desse grupo nas atividades políticas é mínima. Tal retrato é alarmante e tem como principais causas a falta de representatividade política e o comportamento individualista da sociedade.
Mormente, vale ressaltar que a diminuta participação política está diretamente relacionada com a crise de representatividade. Conquanto o poder Legislativo ser formado por centenas de congressistas, estes, por sua vez, são em sua maioria brancos, abastados e com um linguajar desconectado da população jovem. Consoante a justiça eleitoral, o número de jovens, negros e mulheres no Congresso Nacional é abaixo de um terço. Assim, as novas gerações não se sentem representadas na política e perdem o interesse em participar do corpo político.
Ademais, associada à baixa afinidade com os políticos, há, também, o comportamento individualista e não empático com o próximo que mina um dos pilares da participação política. Segundo o filósofo Byung-Hul, na obra “Sociedade do Cansaço”, na contemporaneidade, os indivíduos atuam como empresas ao buscarem o máximo de eficiência e sofrerem pressões por desempenho. Desso modo, o outro é visto como concorrente e, consequentemente, a adesão política diminui, visto que, por definição, é uma atividade voltada para o bem comum.
Infere-se, portanto, que há entraves para serem resolvidos. Dessarte, o Poder Legislativo, por meio da criação de leis, deve promover cotas partidárias para jovens e minorias para que os jovens tenham mais representatividade. As cotas devem exigir equidade de etnia e gênero a fim de amplificar o alcance. Além disso, o Ministério da Educação deve promover campanhas para conscientizar a população sobre a importância da empatia com o próximo e sua relação com a cidadania e política.