A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 29/08/2020
" Diretas Já " foi um movimento político de cunho popular que teve como objetivo a retomada das eleições diretas ao cargo de Presidente da República no Brasil, tendo mobilizado milhões de pessoas, inclusive movimentos estudantis como a UNE (União Nacional dos Estudantes). No entanto, percebe-se que, na atual realidade brasileira, há ainda diversos obstáculos que impedem a participação política de jovens. Isso acontece devido ao descrédito em relação aos políticos e às formas de participação política tradicionais, bem como à falta de informação e comodismo da geração atual.
Em primeira análise, é fundamental compreender que a dificuldade dos jovens em ingressarem na política é consequência direta dos casos recentes de corrupção e a falta de espaço oferecido pelos partidos. Nessa perspectiva, segundo Michel Foucault, filósofo francês, o poder articular-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção, os quais aumentam a subordinação. Sob essa ótica, na maioria das vezes, os partidos abrem espaço só para aquele que tem representante de um clã da política, que já é visto com potencial eleitoral. Como resultado, os jovens passam a atuar em outras frentes, como em ONGs e redes sociais, e quanto mais afastam-se da política institucional, mais há falta de renovação da classe.
Ademais, evidencia-se, por parte das escolas, a ausência de uma educação de qualidade que valorize os conceitos ligados à cidadania. Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defendia a importância do conhecimento a obtenção da plenitude da essência humana. Para o filósofo, sem a sabedoria, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Seguindo essa linha de pensamento, assuntos pertinentes ao saber coletivo como a política não são ensinados nas instituições formais de ensino, fato que impede a obtenção de conhecimento por parte dos jovens sobre tal assunto e, por conseguinte, a plenitude da essência aristotélica.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, incentivar à abordagem de questões políticas dentro da sala de aula, por meio das disciplinas de Filosofia, Sociologia, Geografia e História para discutir essa questão em uma perspectiva mais transdisciplinar, de modo que os jovens criem o hábito de debaterem sobre tal assunto e consigam derrubar os tabus que cercam esse eixo temático. Em adição, o Estado deve inserir os jovens nos partidos políticos, por meio de " Cotas " para as lideranças estudantis, a fim de ganharem mais espaço no congresso. Dessa forma, a cidadania será efetivada e os jovens do Brasil hodierno entrarão para história assim como os estudantes no movimento " Diretas Já “.