A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 03/09/2020

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a limitada participação da juventude brasileira na política afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pela falta de consciência social, seja pela estrutura educacional falha, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Em primeiro plano, verifica-se que a falta de consciência social é fator pontual para a continuidade do problema. Sendo esta, de modo simplificado, a capacidade de enxergar a comunidade ao seu redor e, portanto, sem essa mentalidade, os jovens não são capazes de analisar profundamente a gestão política de onde vivem, não podendo agir e gerar mudanças na sociedade a sua volta. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas críticas em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando da participação política consciente dos jovens, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, como a Escola ou os meios de comunicação, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.

Analogamente, cumpre ressaltar que a ineficiente estrutura educacional é uma das razões pela qual o problema persiste. De acordo com Paulo Freire, importante educador e filósofo brasileiro: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Isso quer dizer que a educação é pilar indispensável na base de formação da sociedade, pois ela tem poder de trazer conhecimento para a desmistificação da complexidade do mundo político, além de instigar a reflexão necessária para os jovens participarem de forma ativa e consciente na política do país. O papel da educação na sociedade não se limita a esfera educacional, mas também tem papel primordial na formação cidadã e política de cada indivíduo.

Sendo assim, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve criar um projeto socioeducativo, com oficinas, palestras e debates, para promover a conscientização social sobre a participação juvenil na política. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, para que se apresentem as principais questões do tema. Espera-se, dessa forma, que a população possa estar inteirada sobre o assunto e que o problema seja minimizado.