A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/09/2020
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, há diversos obstáculos para a conquista legítima da participação de jovens na política, o que torna essa população, a qual possui um peso expressivo de votos nas eleições, alienados quanto ao contexto sociopolítico do país. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da comunidade, bem como a corrupção governamental estão entre as principais premissas que impedem a contribuição juvenil nesse setor.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar o desinteresse de grande parte dos eleitores entre 16 a 33 anos na busca por informações sobre a conformação política, apesar de, atualmente, o alcance do conhecimento ser mais acessível, devido à inserção da internet na sociedade. Questões desse tipo conduzem os citadinos a não se sentirem parte do regime público da nação. Sob essa ótica, segundo Karl Marx, na teoria alienação social, muitos indivíduos não se reconhecem como produtores das instituições sociopolíticas, pois aceitam passivamente a situação vivida sem se rebelar contra as mazelas do país. À luz dessa ideia, faz-se necessário incentivar a população juvenil a compreender a importância de se manter informado sobre os acontecimentos políticos do Brasil.
Outrossim, de acordo com a Constituição Federal, todo indivíduo tem direito a educação, saúde e segurança de qualidade e o descumprimento dessa regra torna o governo corrupto. Porém, é notório que as autoridades públicas, em muitos casos, não tem agido de maneira ética na administração do país, haja vista a omissão governamental ao se tratar da realidade social precária vivida por muitos. Situações desse tipo fazem com que os cidadãos percam o interesse na luta a favor de uma nação mais justa. Assim sendo, seria crucial uma reforma ética na política, para que haja o engajamento da comunidade jovem.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe aos influenciadores digitais, por meio de redes sociais - detentoras de grande abrangência juvenil em âmbito nacional -, criarem ficções engajadas, as quais demonstrem a imprescindibilidade da participação política, a fim de motivar os jovens a buscarem mais conhecimento sobre essa área, a ponto de se sentirem envolvidos no combate às mazelas da sociedade. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, mediante o poder legislativo, torne mais rígidos os critérios dos candidatos à eleição e priorize o compromisso social dele, com o fito de diminuir os índices de corrupção e, assim, incentivar a participação política dos jovens.