A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 02/09/2020

Na série da Netflix, “Nós somos a onda”, é retratado um grupo de jovens que se unem por um ideal: lutar contra o sistema opressor que os fez miseráveis. Daí, então, nasce o movimento “A Onda”. Fora das telas, apesar do papel crucial dessa faixa etária na história das transformações político-sociais nacionais, na contemporaneidade a juventude brasileira se mostra negligente e indiferente. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema de contornos específicos, em virtude de uma crise de representatividade e da falta de acesso a uma educação de qualidade.

Deve-se considerar, de início, o desconhecimento acerca do tema. Para Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com essa perspectiva, se há um problema social, há como base uma lacuna educacional. No que tange à participação política dos jovens brasileiros, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está trazendo às salas de aula conteúdos relacionados ao exercício da cidadania, que ajam na resolução da questão. Dessa forma, esses indivíduos desconhecem as diversas formas de participação política e se encontram sem engajamento, cômodos e individualistas.

Outrossim, deve-se verificar o descrédito em relação aos políticos e à política no Brasil, que reflete uma herança histórica de baixa participação popular, bem como de corrupção. Para Rupi Kaur, “A representatividade é vital”. A poetisa ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a questão da escassez de jovens ativos com relação às questões políticas é fortemente impactada pela crise de representatividade presente no problema, que não está sendo fortemente encarnada pelas autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas. Dessa forma, o tema não recebe a atenção devida, o que acaba por dificultar a atuação sobre ele.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do imbróglio. Para promover a participação efetiva dos jovens na política, urge que o Ministério da Educação, em associação com a mídia, promova palestras e debates nas escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais, por meio da contratação de especialistas da área, como sociólogos, que serão dadas de forma interativa, dinâmica e inclusiva, de maneira a atingir o maior público possível. Ademais, cabe ao Poder Judiciário, na figura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, fiscalizar de forma efetiva casos de corrupção, aplicando as punições devidas aos infratores. Dessa forma, a borboleta de Rupi Kaur, como os jovens brasileiros, encontrará, em fim, sua verdadeira identidade.