A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 07/09/2020
O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a ausência da participação dos jovens na política afeta a sociedade como um todo. Assim, seja pela falta de consciência social, seja pelos dados estatísticos que revelam o desinteresse dos jovens pela política, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, verifica-se que a falta de consciência social é fator pontual para a continuidade do problema. Nessa lógica, o filósofo, Karl Marx, teceu diversas críticas em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando da participação política consciente dos jovens, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, como a Escola ou os meios de comunicação, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.
Ademais, outro fator a ser exposto é a repentina falta de interesses dos jovens pela política. O sistema democrático brasileiro não tem sido atraente para os eleitores, principalmente para os que estão na faixa entre os 16 e 18 anos. O cientista político Lopes fala “Isso está comprovado, porque há um afastamento do sistema democrático formal e um fortalecimento de formas alternativas de participação política, como a ocupação de ruas”. De acordo com o TSE, o número de eleitores jovens com voto facultativo diminuiu em todo o Brasil, passando de 2.913.789 em 2012 (2,07% do total) para 1.638.751 em 2014 (1,15%), e esses números são apenas mais uma prova disso. Diante disso, dados como esses evidenciam que soluções devem ser propostas.
Desse modo, o Ministério da Educação, por meio das escolas e universidades, deve criar um projeto sócio–educativo, com oficinas, palestras e debates, para promover a conscientização social sobre a participação juvenil na política. Tais eventos devem ter alcance nacional, inclusive pela internet, com transmissões ao vivo, por exemplo, para que se apresentem as principais questões do tema. Espera-se, dessa forma, que a população possa estar inteirada sobre a o assunto e que o problema seja minimizado.