A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/09/2020
No seriado de 2019 “The Politician”, Payton Hobart é um adolescente que sonha em ser presidente dos Estados Unidos. Determinado, ele se envolve em debates escolares, eleições de Grêmio Estudantil, e inspira outros ao seu redor. Para além das telas, a ampliação da participação juvenil na política encontra desafios em dois planos: se por um lado são necessárias alterações nas instituições para ouvir os jovens, por outro é fundamental despertar o interesse do tema nos mesmos. Isso, se deve sobretudo, ao descrédito em relação aos atuais representantes políticos e a falta de incentivo no ambiente escolar. Logo, é necessário evidenciar as causas e de propor soluções à atual conjuntura.
É indubitável pontuar, inicialmente, que a crise política e as recorrentes notícias sobre a corrupção por parte dos políticos incita os jovens a descrer a evolução da democracia, o que corrobora um agravante social. Sob esse viés, a premissa do sociólogo Zygmund Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, confirma essa realidade ao afirmar que as pessoas já não acreditam no sistema democrático, pois ele não cumpre suas promessas. Nesse contexto, essa displicência pela população jovem identifica uma crise na democracia e o colapso da confiança política, a qual configura com o desenvolvimento de uma sociedade comodista e individualista. Desse modo, essa concepção intransigente denota uma atuação mais engajada do Estado, a fim de mitigar tal patologia social.
Outrossim, é imprescindível ressaltar o distanciamento da maior parte dos jovens sobre o cenário político, que surge em decorrência da ausência de uma formação política de qualidade no âmbito escolar, acarretando um agravante no senso crítico dos discentes. Sob esse viés, é perceptível que a maior parte desses indivíduos só mantém o contato com a política quando se vê obrigado a votar, fazendo esse papel muitas vezes por influência dos familiares e sem propriedade de escolher o político que represente as suas ideias. Dessa forma, contrariando o modelo democrático demonstrado por Thomas More em sua obra “A Utopia”, em que na Ilha de Utopia, todos votavam por um bem social maior. Dessa maneira, é substancial a tomada de soluções quanto a esse impasse.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias a fim de conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Para tal, o Poder Público, por intermédio do Ministério da Educação, deve inserir discussões no componente curricular de História, por meio de palestras e debates, com a participação não só de professores da disciplina, mas com especialistas no âmbito das ciências políticas buscando abordar a importância da política na formação da criticidade, bem como, despertar o interesse da participação dos jovens através do voto, com o fito de desmitificar, na sociedade, uma visão pessimista do âmbito governamental. Assim, teremos adolescentes semelhantes ao seriado “The Politician”.