A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 08/01/2021
Diante do fracasso de uma geração em conter certos problemas, é comum transferir as responsabilidades à juventude da era seguinte. Até porque, o segmento é símbolo de inovação e liberdade, cuja inventividade associa-se a figuras como Bill Gates, enquanto a agudeza de pensamento expressa-se no inexperiente Caetano. Afinal, em tempos turbulentos, a juventude brasileira enfrenta um paradoxo: ao mesmo tempo em que se afasta da política, sabe que só ela pode mudar seu futuro.
Inicialmente, os jovens brasileiros tendem a deixar a política em segundo plano. Em outras palavras, a economia e a própria dinâmica de uma Brasília turbulenta permitem compreender tal cenário. Nesse sentido, enquanto os mais velhos aproximam-se da aposentadoria e perfazem, graças à experiência no mercado, a maior parte das vagas de emprego, sob os jovens ainda recaem os reflexos de uma dura recessão que assolou o país há seis anos. Inevitavelmente, as previsões do Banco Mundial de um pífio crescimento de 3% na balança nacional, em 2021, em nada contribuem a recém formados sob a égide de um mercado cada vez mais exigente por qualificação. Ademais, a truculência das relações congressistas, marcada por discussões, falsas promessas e escândalos de corrupção inspiram aversão em um grupo que vê a política distante de si.
Entretanto, a História e a Filosofia demandam o contrário: o jogo democrático é a única saída ao caos. Filosoficamente, o libertário John Mill, já no século XIX, afirmava: “que tão poucos ousem ser excêntricos marca o perigo dominante da época”- uma associação entre a necessária dinâmica social de mudança de valores e a liberdade. Historicamente, isso é percebido a partir de uma juventude crítica que, empoderada pelo potencial mobilizador dos meios digitais, promove protestos de cunho revolucionário. Como exemplo, os movimentos juvenis de alcance global, como o “Black Lives Matter” e as manifestações de Hong Kong contra o recrudescimento chinês, alinham-se, no Brasil, à transformadora insatisfação dos “Caras-Pintadas” e do Movimento Passe Livre. Enfim, pela derrocada de presidentes ou pelo fim do racismo, o estrato juvenil deve ser politizado.
Em suma, os adolescentes e imaturos adultos brasileiros afastam-se de Brasília, ao mesmo tempo em que precisam se politizar. Urgentemente, o Poder Executivo deve estimular a politização juvenil, por meio de leis que garantam empregos ao estrato- como um código que incentive as empresas privadas, mediante isenções fiscais, a reservar, ao menos, 10% das vagas ao segmento- para que a sociedade transforme-se livre e democraticamente. Só assim, o país se renovará, porque jovem.