A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/10/2020

A música “Another brick in the wall” da banda de rock “Pink Floyd”, narra um cenário onde adolescentes estão sendo alienados pelo sistema, de forma a consumir o que não querem, tal como produzir as mesmas ações repetidamente como robôs, sem consciência própria. Analogamente, o panorama brasileiro no que concerne à participação política dos jovens encontra-se estiolado e similar com a realidade desprezível apresentada na canção. Nesse contexto, cabe apontar tanto o papel escolar insignificante nessa formação do aluno quanto a ausência de incentivos de terceiros como raízes dessa problemática.

A priori, faz-se mister salientar a negligência educacional na questão da formação política dos jovens. Seguindo a lógica do filósofo Edmund Burke, um povo que não conhece seu passado está fadado a repeti-lo. Nessa perspectiva, a instituição escola deve promover debates políticos no âmbito escolar, já que seria de suma importância desenvolver um pensamento crítico para que não se replique os mesmos erros que aconteceram em outras épocas. Dessa forma, o pensamento de Burke alcançará sua plenitude, visto que com o tema sendo debatido frequentemente, não sobrará espaço para a ignorância.

Em segundo plano, outro fator que estorva essa situação é a falta de incentivos, principalmente estatais. Evidencia-se o supracitado desde a ditadura militar, onde, naquele tempo, os jovens eram conhecidos por serem rebeldes e questionadores, tendo em vista que encabeçaram boa parte dos protestos e contestações da época. Por outro lado, hodiernamente, perdeu-se esse estereótipo juvenil, o Estado, assim como na música do “Pink Floyd” trata por manipular pessoas a possuírem exatamente a mesma linha de raciocínio, temendo que elas se revoltem contra injustiças governamentais tal como aconteceu no passado. Dessa forma, o Governo tem a liberdade de fazer o que quiser sem que haja preocupações maiores.

Portanto, é fulcral abonar que a formação política dos jovens é fator crucial para o desenvolvimento do país. Logo, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma reformulação da matriz escolar, integre matérias voltadas ao debate político dentro das escolas, a fim de sanar essa comodidade da ignorância. Essa iniciativa estimulará o pensamento crítico e irá incentivá-los a procurar cada vez mais por esse assunto. Assim, a crítica social da música “Another brick in the wall” fique obsoleta, criada em um cenário obnóxio em que não apresenta sequer nenhuma semelhança com a vivida hoje.