A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 03/11/2020

Durante o regime militar no Brasil, a União Nacional dos Estudantes (UNE) exerceu um papel fundamental de crítica ao governo com a organização de protestos, que atingiram o seu ápice na manifestação em apoio as “Diretas já”. Contudo, na contemporaneidade, a juventude diminui o seu empenho por mudanças estruturais no país. Sob tal ótica, a participação dos jovens na política é imprescindível para o desenvolvimento do Brasil, entretanto encontra obstáculos para a sua plena efetivação, como a falta de conhecimento sobre o assunto e o comodismo.

Inicialmente, a dificuldade de se obter informações sobre como funciona o processo político colabora para a diminuição da participação nele. De acordo com a Prova Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA) de 2018, o Brasil foi o 58º país, dentre os 79 participantes, no exame de leitura. Diante disso, percebe-se que as crianças e adolescentes em geral não recebem um ensino de qualidade e muito menos as instruções necessárias sobre como reivindicar os seus direitos e ingressar no debate público. Nesse sentido, jovens mal orientados encontram maiores empecilhos para trazer as mudanças necessárias e para defender os seus interesses, pois, como afirmou Nelson Mandela, “a educação é a melhor arma que você pode usar para mudar o mundo”.

Outrossim, o crescimento do individualismo prejudica na luta por causas coletivas. Em consonância com Zygmunt Bauman, vive-se a “Modernidade Líquida”, a qual é caracterizada pelo egoísmo e hedonismo dos indivíduos, os quais buscam satisfazer os seus desejos e não mais atender aos interesses de um grupo social. Dessa forma, reduziu-se a vontade de se movimentar e agir em defesa de pautas sobre a justiça social, visto que as pessoas se importam mais com o que lhes diz respeito diretamente. Dessarte, a juventude, principal grupo capaz de trazer transformações sociais e culturais, acomodou-se com apenas um ativismo pelas redes sociais, pois não vale mais o esforço de ir pra rua pelo outro, o que atrapalha gravemente na construção de um Estado democrático e igualitário.

É mister, portanto, tomar medidas que incentivem uma maior participações dos novos cidadãos no assuntos públicos. Logo, cabe às escolas municipais e estaduais ampliarem o conhecimento dos adolescentes sobre como acontece a política no país, por meio de aulas sobre os principais direitos constitucionais, a divisão dos três poderes e a importância do protesto contra injustiças, as quais serão feitas no ensino fundamental II e médio com o apoio de especialistas na área do direito. Ademais, as emissoras de televisão criarão propagandas que estimulem a empatia para outros grupos além do próprio. Espera-se, assim, tornar os jovens mais solidários e mais capacitados a participar da política.