A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 21/10/2020

A Era Digital é marcada pelo processo de difusão midiática e informacional, sendo capaz de possibilitar a aproximação da sociedade civil do debate público. Diante disso, coloca-se um pauta, nacionalmente, a urgência pela ampliação das formas de participação da juventude brasileira no âmbito político, a julgar pelo fato que esse grupo encontra-se a margem desse aspecto inerente à existência coletiva. Isso posto, cabe a análise da importância do protagonismo juvenil historicamente, além da observação relativa as características que condicionam a existência e perpetuação da problemática.

É relevante abordar, primeiramente, que a ativa participação dos jovens na construção da realidade concreta, tendo em vista a potência que carregam de ser canal das demandas contemporâneas. A exemplo disso, o engajamento dos jovens mulheres, durante o século XX, que reivindicaram o sufrágio feminino foi determinante para a efetivação de mecanismos legais capazes de promulgarr4 os direitos das mulheres, causando impactos substanciais no futuro de todas a população ocidental. Sob esse ótica, a habilidade de expor as inquietações de um tempo, defronte às transformações do mesmo, tornam a juventude potentes agentes sociais e políticos — fato demonstrado na série “Cara Gente Branca” ao tratar a realidade de universitários engajados em movimento de resistência negra e proteção à diversidade.

Paralelo a isso, o filósofo grego Aristóteles declara que o homem é animal naturalmente político. Contudo, hodiernamente, distanciando-se do que seria a essência humana aristotélica, 67% dos jovens acima de 16 anos exprime desinteresse por pautas políticas, segundo a Microcamp SP. De tal maneira, coloca-se em risco as estruturas do Estado Democrático de Direito, considerando que, de acordo com Norberto Bobbio, dentre as virtudes constitutivas do Estado com uma democracia sólida se destaca a educação política, aliada a participação ativa de todos os membros constituintes da tessitura social.

Portanto, urge a proposição de alternativas para a inserção juvenil no espectro político pátrio. Assim,

o Ministério da Educação, em ação intersetorial com as Secretarias de Educação Estaduais, deve propor, por meio da concessão de bolsas de pesquisa e extensão, o desenvolvimento de projetos nas universidades públicas federais e estaduais, que objetivem propor aos discentes, que cursam o ensino médio na rede pública, à criação de clubes de debates políticos instruídos por universitários — estimulando a proposição de ideias de transformação social e análise crítica da realidade vigente que, posteriormente, devem ser estruturadas e entregues às Câmaras Municipais, a fim de concretizá-las e torná-las novos projetos. Com isso, colocar-se-á, gradualmente, a juventude como protagonista na estruturação do futuro brasileiro.