A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 23/10/2020
De fato, por meio de movimentos como o “Diretas Já”, nos anos 1980, e os “Caras Pintadas”, na década seguinte, a juventude brasileira já reivindicou e conquistou diversos direitos vigentes no Brasil. No entanto, observa-se um crescente desengajamento por parte do jovens, na contemporaneidade. Nesse contexto, faz-se necessário discutir as causas desse desinteresse, no âmbito nacional.
Em primeiro plano, cabe ressaltar os recentes escândalos de corrupção política, destacados por investigações da Polícia Federal, como por exemplo e apesar de algumas controversas, a Operação Lava Jato. Essa desordem gerou um certo descrédito em relação aos políticos por parte da população, em especial por parte da camada mais jovem. Prova dessa apatia é o balanço do eleitorado feito pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que demonstrou uma queda de aproximadamente 40% nos cadastros de eleitores com 16 e 17 anos, entre as eleições de 2016 e 2018.
Outro fator que contribui para essa indiferença é o sistema educacional brasileiro. Esse que ao invés de empoderar e ensinar seus estudantes a exercerem sua cidadania, esta mais voltado - assim como o ensino dos E.U.A - para a resolução de testes padronizados. Esse método pode ser observado como ultrapassado por meio do documentário “Where to Invade Next” (“Onde Invadir a Seguir”, em português), do cineasta americano Michael Moore. No qual ele coloca um escopo sobre a educação finlandesa - primeiro classificado do Programa de Avaliação Internacional de Internacional de Estudantes (PISA) - e assim demonstra como os colégios deveriam formar cidadãos participativos e engajados em suas sociedades, visto que a Finlândia adota essa filosofia em suas escolas, além de ser um país com um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano, do planeta.
Portanto, para que o Brasil retome uma elevada participação da juventude na política é necessário que o Ministério da Educação reveja o modelo de ensino do país. Essa revisão pode ser feita tomando como base a própria didática finlandesa, e tem potencial de ser realizada por meio de uma reforma na grade curricular das escolas, introduzindo matérias como a Educação Cívica, por exemplo. Para que dessa forma se tenha um Brasil com jovens engajados e que entendam a importância da política na sociedade e em suas vidas, pois - parafraseando o professor Paulo Freire - “Viver significa tomar partido”.