A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 22/10/2020

O documentário “Junho: o mês que abalou o Brasil”, dirigido por João Wainer, demonstra a importância da participação política do jovem na contemporaneidade, em que tematiza alguns avanços conquistados por essa faixa etária. No entanto, apesar de possuir um papel considerável na liderança das transformações políticas para o desenvolvimento nacional, a juventude brasileira enfrenta uma série de obstáculos como o comodismo ocasionado pela internet e a desilusão acerca da política.

Inicialmente, é importante ressaltar que o advento das mídias sociais causou um certo comodismo aos jovens. A exemplo disso, o conceito formulado pelo filósofo francês Pierre Lévy, denominado sociedade hiperconectada, no qual afirma que os indivíduos são bombardeados com diversas informações nos veículos sociais vinculados ao uso da internet. Paradoxalmente, por ter acesso a essa gama de informação, o jovem não se engaja de forma efetiva nos processos políticos como, na realização de protestos em locais públicos, o que gera um ativismo de sofá. Tal fato foi evidenciado no documentário “Junho: o mês que abalou o Brasil”, em que o diretor expõe que diversas pessoas dessa faixa etária reivindicaram seus anseios por intermédio das mídias sociais, como o twitter. Consequentemente, o engajamento político realizado por meio da internet não possuirá um impacto transformador como aqueles efetivados em espaços públicos.

Ademais, é imperativo pontuar que alguns jovens possui uma desilusão acerca da política nacional. Tendo como exemplo disso, a assertiva proposta pelo filósofo Jean François Lyotard, denominada crises do metarrelato, em que afirma que há um descrédito da sociedade pós-moderna aos discursos da organização da objetividade e subjetividade. Isso acontece, porque existe uma crise de representatividade na política brasileira, em que os jovens não observam nesse formato de poder a possibilidade de melhoria social da sociedade. Dessa forma, nota-se que esse grupo desiste da política devido a crença de que há uma única forma tradicional de participação desse movimento como, as eleições.

Portanto, é notório a defasagem da participação política do jovem no Brasil contemporâneo. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação em parceria com as instituições de ensino, promover uma exposição transdisciplinar do papel transformador do jovem nesse formato de poder, por meio da realização de aulas, especialmente, com professores das ciências humanas, em que esses profissionais irão demonstrar de forma didática a importância que essa faixa etária teve ao longo da história nos movimentos políticos na pós-modernidade, a fim de despertar o interesse desses indivíduos acerca da mobilização social.