A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 23/10/2020

No ano de 2016, no Brasil, jovens ocuparam escolas como forma de protesto contra as propostas do governo sobre as reformas do ensino médio. Tal atitude apresentou a participação da juventude nas decisões que regem as esferas sociais do país. No entanto, essa medida não tornou-se generalizada no que diz respeito ao interesse político do jovem contemporâneo, o qual por meio de uma cultura de estereótipos, afasta-se da possibilidade de aproximação, estudo e atuação de uma política veridicamente democrática.

Em primeiro lugar, o desinteresse do jovem pela política está ligado à propagação da imagem de corrupção sobre o processo de organização social. Isso ocorre devido aos poucos investimentos em setores públicos e aos inúmeros escândalos envolvendo desvios de dinheiro. Tais fatores fomentaram a descrença da população sobre a conduta ética dessa classe, somado a isso, está a falta de incentivo por parte da sociedade à instrução política de seu povo, o que resulta nos analfabetos políticos. Nesse sentido, valida-se o pensamento do Professor Karnal, que relata a alienação e leiguice do jovem sobre as questões políticas da sociedade.

Outro expoente para a pouca participação da juventude é a correria do cotidiano. Segundo o educador e filósofo Cortella, “vive-se em um mundo apressado”, em que há muitas ocupações e preocupações a serem resolvidas e, por isso, por vezes ocorre o desligamento da realidade política no mundo hodierno, em que as pessoas veem o voto, por exemplo, apenas como mais uma obrigação e não como um direito conquistado.

Torna-se evidente, portanto, que existe uma barreira entre o interesse do jovem moderno e a atuação política. E para que ao menos atenue-se, é necessário que as escolas instiguem o interesse nos alunos através de aulas extracurriculares que apontem a importância do conhecimento político para um bom desempenho com a sociedade, objetivando também o desenvolvimento de futuros políticos honestos.