A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 18/11/2020
Produzido pela Netflix, o documentário “Joshua: Adolescentes vs. Superpotência” retrata a mobilização dos cidadãos de Hong Kong pelo ativista Joshua, que aos 15 anos lançou o movimento Escolarismo, contrário ao planejamento do governo Chinês em implantar um sistema educacional, considerado por eles uma “lavagem cerebral”. Após manifestações, com intensa participação de adolescentes, o governo revogou a medida. No entanto, apesar do papel crucial dessa faixa etária em transformações político sociais nacionais, a participação política do jovem no Brasil contemporâneo tem encontrado entraves. Nesse sentido, torna-se necessário o debate acerca de seus desafios.
A principio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a atual crise de representatividade que a juventude enfrenta. Segundo pesquisas divulgadas pelo jornal Estadão, cerca de um terço do eleitorado brasileiro é formado por jovens entre 16 e 33 anos, equivalente a mais de 45 milhões de pessoas, os colocando em posição de poder decidir uma eleição. Entretanto, no mesmo levantamento mais de 50% se encontra entre os eleitores indecisos ou que pretendem anular seu voto. Isso acontece devido a desilusão com a política, cercado de casos de corrupção e praticas oligárquicas para iludir o povo. Dessa forma, embora de maneira pessimista, é perceptível que a indiferença quanto a questão política, pode levar a perpetuação do cenário de crise.
Outrossim,vale ressaltar que essa situação é corroborada pelo comodismo da mocidade. No ano de 1983, o movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais “Diretas Já”, mobilizou mais de 1 milhão de pessoas a pressionar o governo que, por fim, oficializou as eleições. Hodiernamente, em um contraste lamentável, o jovem ganhou o apelido de “manifestante de sofá”, preceito que reflete a indignação quando ao panorama social, seguido da falta de participação intencional que advém da falta de educação política e poucas abordagens sobre a estrutura Republicana adotada no país. Dentro dessa lógica, nota-se a necessidade de valorizar praticas ligadas a cidadania.
Torna-se evidente, portanto, medidas que vissem ampliar a participação política do jovem brasileiro. Logo, o Governo deve promover por meio de políticas afirmativas, como a criação de cotas para jovens em partidos, de maneira a representar essa faixa etária em esferas da diplomacia. Além disso é necessário que o Ministério da Educação promulgue uma reforma na grade escolar, de modo a adicionar matérias como Educação política e direito administrativo afim de incentivar à formação de cidadãos mais ativos e conscientes em abordagens que afetam a sociedade. Com essas medidas, talvez, a mocidade brasiliense será repleta de Joshua.