A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 18/11/2020

No ano de 1922, o movimento “caras pintadas”, foi uma mobilização estudantil realizada no Brasil, no qual o impeachment de Fernando Collor de Melo era o principal objetivo. Nesse contexto, percebe-se que a força da juventude na geração de grandes transformações sociais é de suma importância para o desenvolvimento de uma nação, haja vista a sua inteira ligação com a constituição da cidadania. Em contrapartida, muitos impasses impedem um amplo engajamento do jovem no setor político, sendo a descrença nesse setor e a falta de educação que abranja os setores sociológicos, econômicos e governamentais da comunidade social os principais motivos.

Em primeiro plano, é válido pontuar que desde a chegada das primeiras caravelas, a pátria de Macunaíma celebra herói sem caráter. Nesse sentido, notou-se que do Império a República, grupos dominantes se apropriavam de recursos coletivos com o intuito de se enriquecerem. Hodiernamente, muitos escândalos políticos envolvendo a alta cúpula governamental são evidenciados, como desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, por esse motivo, muitos jovens se sentem desmotivados a lutarem por melhorias. Logo, essa situação precisa ser revestida, afinal, o vigor do jovem somada às suas ideias revolucionárias podem mudar o cenário social e contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária, por isso, a juventude precisa desempenhar seu papel de cidadão crítico e consciente.

Em segundo plano, segundo Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Nessa ótica, é nítido que por meio do aprendizado o ser humano reconhece os seus deveres, amplifica o seu conhecimento e reivindica o seus direitos. Nessa perspectiva, a falta de aulas interdisciplinares que abordem com os discentes temas voltados à economia, sociologia e política, fazem com que esses jovens não se interessem com a governabilidade de seu país e, por consequência não votem conscientemente. Diante disso, dada a importância do jovem  na construção de uma nação mais desenvolvida, mudanças no setor educacional devem ser feitas, afinal, ele é o setor pelo qual a criticidade, a cognição e o conhecimento do ser humano é moldado.

Destarte, cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que, desde a mais tenra idade, as crianças sejam educadas por meio de debates sociológicos e aulas interdisciplinares de geopolítica, para que o jovem esteja ciente de todos os problemas que ocorrem na sociedade e comecem a lutar desde cedo contra as injustiças que ocorrem no país, assim como fizeram os estudantes do movimento caras pintadas. Ações como essas aumentarão a participação política da juventude no Brasil e, consequentemente, farão do país um ambiente formado por cidadãos críticos, conscientes e participativos rumo ao progresso e edificação de uma nação desenvolvida.