A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 24/12/2020
Protestos em junho de 2013, campanha das Diretas Já, caras pintadas. Essas manifestações, organizadas predominantemente por jovens brasileiros, ficarão marcadas na história. Contudo, percebe-se, na atualidade, uma apatia frente ao engajamento político entre as pessoas mais novas no Brasil. Nessa perspectiva, torna-se importante assinalar que o afastamento da participação política tem sua raiz nas constantes denúncias de corrupção e a importância, na contemporaneidade, da internet como meio de envolvimento político.
Convém ressaltar, a princípio, que os frequentes escândalos de corrupção, por parte de alguns políticos, acarretou o desinteresse de alguns jovens no que concerne à política. Segundo a filósofa Hannah Arendt, uma atitude agressiva, ao acontecer com certa frequência, deixa de ser vista como errada. A partir da perspectiva da filósofa, pode-se estabelecer que tais atitudes agressivas recorrentes de corrupção passaram a ser normalizadas e banalizadas por parte da população. Nesse cenário, não há mobilização e tão pouco espanto quando o atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, é preso após acusação de liderar um esquema de propinas.
Entretanto, apesar das manifestações de rua ser de extrema importância, a internet tem se mostrado como uma poderosa ferramenta de engajamento político por parte dos jovens. Nesse cenário, discussões sobre política nas redes têm sido efetivas como, por exemplo, a recente “live” – transmissão ao vivo na internet - entre a cantora Anitta e a mestra em direito penal, Gabriela Prioli, que dialogaram, por meio de linguagem acessível, sobre a situação política do país. Nessa perspectiva, milhares de jovens, a partir de seus aparelhos eletrônicos, puderam participar da conversa.
Torna-se evidente, portanto, que a internet é um poderoso veículo de engajamento entre os jovens, inclusive como meio de promoção de discussões que questione atitudes naturalizadas e nocivas entre alguns políticos. Nessa perspectiva, é imprescindível que o Ministério da Saúde possa criar projetos nas escolas e em plataformas na internet, por meio de conversas entre professores e alunos com linguagem acessível, a fim de abarcar os jovens nas discussões políticas do país. Tais projetos podem ser confeccionados com a ajuda de cientistas que refletem sobre o tema e com parcerias de artistas de grande alcance entre o público jovem. Assim, será possível o aumento da participação dos mais novos nos debates políticos.