A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/12/2020
Na Grécia Antiga, originou-se a concepção de democracia, a qual consistia na administração da pólis e nas discussões políticas realizadas na Ágora, praça pública em que os atenienses manifestavam suas opiniões. Conquanto, tal conceito sofreu alterações ao longo do tempo, e, na conjuntura hodierna, a participação política dos brasileiros, sobretudo dos jovens, não é mais eminente na sociedade contemporânea, uma vez sustentada pela ausência do debate sobre o assunto nas escolas e pela passividade da população. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.
A princípio, vale destacar que a falta de uma educação política no ensino brasileiro corrobora o cenário negativo. Nesse viés, é indubitável que os direitos políticos são garantidos a todos pelo artigo 14 da Constituição de 1988. No entanto, segundo dados do Tribunal Eleitoral Superior (TSE), a participação facultativa de adolescentes entre 16 a 17 anos nas eleições está sendo reduzida, o que possui como um de seus principais motivos a carência de expor a temática nas instituições de ensino e de mostrar a relevância da atuação dos jovens para o desenvolvimento do território nacional. Logo, isso resulta em uma menor presença dos brasileiros em questões políticas e no pouco interesse nas pautas administrativas do país.
Ademais, vale ressaltar que o comodismo da coletividade influencia na persistência do impasse. Segundo leis newtonianas, um corpo tende a permanecer ao mesmo estado, até que uma força atue sobre ele. Nesse sentido, assim como na música “Até Quando?”, de Gabriel, o Pensador, que critica a postura passiva da nação diante de incômodos sociais ligadas à administração política, a situação propende a continuar se não houver uma maior operação da população nas decisões políticas, visto que essa passividade conduz os mais jovens para o mesmo comportamento. Destarte, é evidente a necessidade de interposições eficazes dos brasileiros na esfera política, para incentivar o público jovem a uma atitude mais participativa.
Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves à resolução desse revés. Para tanto, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promova projetos educacionais sobre questões políticas nas instituições escolares - os quais devem abranger discussões a respeito de noções públicas -, por meio de palestras e documentários sobre o tema, com intuito dos jovens brasileiros possuírem maior participação nos assuntos administrativos do país, sem indiferença quanto às dificuldades sociais existentes. Dessa forma, os ideais de democracia criados na Antiguidade Clássica irão ser aplicados efetivamente no Brasil contemporâneo.