A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/11/2021
O documentário ‘‘Democracia em vertigem’’ aborda a temática das manifestações políticas nacionais, em parte, munidas da ampla inclusão da juventude. Entretanto, atualmente, essa participação política dos jovens ainda é frágil, seja pela falta de estímulo educacional ou pela espetacularização de um engajamento político ilusório. Logo, é fundamental romper tal paradigma anacrônico da esfera social.
Nesse contexto, deve-se pontuar que a ausência do cidadão jovem nos assuntos públicos ocorre, muitas vezes, em virtude da precariedade do sistema educacional, haja vista que o atual ensino pouco fomenta o senso crítico do aluno, inclusive, no ramo da política. A esse respeito, o educador Paulo Freire denomina tal atraso educacional como ‘’educação bancária’’, ou seja, o corpo estudantil é um ‘‘depósito’’ de conteúdos escolares, ainda, o professor não desenvolve a criticidade do estudante com aulas fundamentais, como as de política e cidadania. Assim, diante dessas falhas, parte da esfera jovem não obtém interesse pelo setor político e, até mesmo, negligencia a importância do voto consciente.
Além disso, vale ressaltar que a escassez da participação jovem na política é, também, fruto de uma cultura marcada pelo engajamento político ilusório, pois é comum que o brasileiro se posicione politicamente, apenas, para o ganho de curtidas virtuais. Nessa perspectiva, o escritor Guy Debord ratifica que a população é fundamentada no conceito de ‘‘sociedade do espetáculo’’, ou seja, parte da esfera civil demonstra, por exemplo, um discurso político falacioso para ‘‘aparecer’’ nas redes sociais. Então, em virtude de tal ignorância, o exercício da cidania torna-se prejudicado, visto que é de suma relevância que discusões políticas sejam críticas, caso contrário, é um desserviço ao país.
Portanto, é imprescindível alimentar a inserção do jovem nos assuntos públicos. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação - mecanismo difusor de conhecimento - criar novas disciplinas escolares que abordem a política e cidadania, por meio de subsídio federal. Desse modo, o material será ministrado por sociólogos e as aulas serão dinâmicas, isto é, o corpo estudantil será ativo em debates sobre os assuntos tematizados. Ainda, é fundamental que todas as escolas públicas sejam inseridas em tal medida, a fim de garantir que grande parte dos estudantes conheçam a política. Ademais, cabe à União divulgas campanhas digitais sobre a negatividade do engajamento político ilusório. Feito isso, a participação política da juventude demonstrada no documentário será, de fato, completa na sociedade.