A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 09/01/2021

George Orwell, em “1984”, desvelou a fictícia nação de Oceânia, na qual o engajamento quanto à política só era possível caso agisse em prol do Partido. Contemporaneamente, apesar da liberdade de expressão ser uma realidade no Brasil, milhares de jovens ecoam a ignorância de alguns personagens da obra pela desvalorização da participação política. Com efeito, reverter esse quadro é crucial, visto que o ativismo da juventude faz-se relevante para o desenvolvimento democrático e social.

Em uma primeira análise, a valorização do envolvimento político dos jovens mostra-se necessária ao combate ao autoritarismo no país. Isso porque a participação juvenil nos assuntos de interesse público fortalece jurídica e institucionalmente o sistema democrático pela evolução da cidadania, a qual fomenta a reflexão acerca da independência das instituições estatais, a fim de que trabalhem de modo isento, a partir dos pressupostos de impessoalidade e moralidade. Nesse sentido, o pensamento de Jean Jacques-Rousseau, em “O Contrato Social”, desvela a necessidade desse panorama, na medida em que destaca o papel do povo na reivindicação da atuação do Estado como representante da vontade geral. Dessa forma, desenvolver o engajamento político na juventude brasileira é defender a construção de um modelo de gestão alicerçado na democracia.

Ademais, em um segundo plano a promoção da participação política dos jovens no Brasil perfaz-se como elemento de absoluta importância para que o corpo social se desenvolva. Esse fato decorre do aumento de protestos e exigências desses cidadãos pela inclusão de indivíduos marginalizados, os quais elevam a pressão sobre os governantes para a inserção desses sujeitos na sociedade de modo integral, o que é capaz de lhes garantir empiricamente os princípios determinados pela Constituição. Nessa perspectiva, o progresso possibilitado pelo ativismo juvenil confirma as ideias de Jürgen Habermas, em “A Inclusão do Outro”, que indica que incluir e amparar todos os cidadãos deve ser compreendido como uma prerrogativa para o bom convívio social. Desse modo, avançar o processo ativista é refletir a instauração da alteridade e da legitimação de direitos.

Portanto, o engajamento político da população jovem apresenta-se como fator essencial ao desenvolvimento democrático e social. À vista disso, o Ministério da Educação deve estabelecer diretrizes pedagógicas para a valorização ativista no meio educacional, por meio da criação de projetos e materiais didáticos que apontem o aluno como potencial agente social interventor, com a participação de profissionais da Sociologia especializados no tema em debates e palestras escolares, a fim de que a consciência política seja despertada nos estudantes. Destarte, construir-se-á uma nação inclusiva, ética e parametrizada à sua constituição.