A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 13/01/2021
O escritor britânico George Orwell, nas páginas de “1984”, desvelou a fictícia nação de Oceânia, na qual o engajamento quanto à política só era possível caso agisse em prol do governo opressor estabelecido. Contemporaneamente, apesar da liberdade de expressão ser uma realidade no Brasil, milhares de jovens ecoam a ignorância de alguns personagens da obra pela desvalorização da participação política. Com efeito, a reversão desse quadro deve ser prioritária, visto que o ativismo da juventude faz-se relevante para o fortalecimento democrático e o desenvolvimento social.
Em um primeiro plano, a valorização do envolvimento político dos jovens apresenta-se necessária ao combate ao autoritarismo no país. Isso porque a participação juvenil nos assuntos de interesse público fortalece jurídica e institucionalmente o sistema democrático pela evolução da cidadania, a qual fomenta a reflexão acerca da independência das instituições estatais, a fim de que trabalhem de modo isento, a partir dos pressupostos de impessoalidade e moralidade. Nesse sentido, o pensamento de Jean Jacques-Rousseau, em “O Contrato Social”, relaciona-se à importância do esclarecimento político dessas jovens vidas, na medida em que destaca o papel do povo na reivindicação da atuação do Estado como representante da vontade geral. Dessa forma, desenvolver o engajamento político na juventude brasileira é defender a construção de um modelo de gestão alicerçado na democracia.
Ademais, a promoção da participação política juvenil no Brasil perfaz-se como elemento de absoluta relevância para que o corpo social se desenvolva. Esse fato decorre do aumento de protestos e exigências pela inclusão de indivíduos marginalizados por esses cidadãos, os quais, por apresentarem maior vigor, elevam a pressão sobre os governantes para a inserção dos segregados na sociedade de modo integral, o que é capaz de lhes garantir empiricamente os princípios determinados constitucionalmente. Nesse contexto, o progresso possibilitado pelo ativismo dos jovens confirma as ideias de de Jürgen Habermas, em “A Inclusão do Outro”, que indica que incluir e amparar todos os cidadãos deve ser compreendido como uma prerrogativa para o bom convívio social. Desse modo, avançar o processo ativista na juventude é minimizar a exclusão e refletir a legitimação de direitos.
O ativismo político dos jovens, portanto, mostra-se essencial ao desenvolvimento democrático e social. À vista disso,o Ministério da Educação deve estabelecer diretrizes pedagógicas para a valorização ativista no meio educacional,por meio da criação de projetos e materiais didáticos que apontem o aluno como potencial agente social interventor,com a participação de profissionais da Sociologia especializados no tema em debates e palestras escolares,a fim de que a consciência política seja despertada nos estudantes.Dessa maneira, construir-se-á uma nação efetivamente mais inclusiva.