A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 14/03/2021
Em 1988, Ulisses Guimarães promulgou a Carta Magna - norma de maior hierarquia jurídica nacional - e estabeleceu, em seu artigo 14, o retorno dos direitos políticos dos cidadãos. Todavia, o desinteresse dos jovens revela que a participação e consciência política, idealizada por Guimarães para o exercício de tais direitos, ainda não foi despertada na contemporaneidade. Com efeito, a superação dessa questão passa pela falta de senso crítico e pelo suicídio político.
A princípio, a falta de senso crítico prejudica a construção da consciência política na sociedade verde-amarela. Nesse viés, Paulo Freire - renomado sociólogo e pedagogo - disserta que o brasileiro é submetido a uma educação bancária que não desperta reflexividade. Similarmente, segundo Freire, são formados jovens facilmente manipuláveis e que são usados como massa de manobra, uma vez que não possuem consciência política e, por conseguinte, não participam de forma racional dos processos democráticos do Estado tupiniquim. Assim, enquanto o modelo de educação bancária se mantiver no Brasil, o país será obrigado a conviver com um dos maiores prejuízos sociais para nação: a falta de participação política dos jovens.
De outra parte, o suicídio político afeta a dignidade humana. Nesse sentido, o filósofo Albert Camus defende que esse fenômeno ocorre quando a pessoa nega acontecimentos para se filiar a alguma ideologia. Dessa forma, os cidadãos deixam de pensar de maneira crítica e imparcial, e passam a emitir opiniões inconsequentes, as quais favorecem o surgimento do discurso de ódio e a manutenção de um forte clima hostil na sociedade, de acordo com Camus. Com isso, observa-se um flagrante desrespeito ao direito do outro se expressar e, consequentemente torna-se nocivo o ambiente democrático. Logo, esse contexto desestimula - principalmente nos jovens - o interesse e a responsabilidade pela participação nos processos políticos da nação.
Portanto, para despertar consciência política e garantir a participação dos jovens nos processos democráticos, o Ministério da Educação, como ente encarregado pela Política Nacional de Educação, deve reformular a grade curricular das Ciências Sociais do ensino médio, por meio da inclusão da disciplina de Ciência Política, a fim de fomentar a importância do uso reflexivo e racional dos direitos políticos pelos jovens, como medida eficaz para se alcançar o fundamento de desenvolvimento nacional. Por sua vez, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pelo exercício da cidadania, lançar campanha de conscientização social, por meio da TV, do rádio, e das mídias sociais, com a finalidade de combater o suicídio político e desconstruir o discurso de ódio vigente no país. Destarte, conforme previsto por Guimarães, o Brasil será considerado - de fato - Estado Democrático de Direito.