A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 05/04/2021

A vanguarda futurista, do início do século XX, foi marcada pela renúncia ao passado e presente, voltando-se, exclusivamente, para o futuro rápido, como a velocidade das máquinas que ocupavam o cenário industrial. Analogamente, o advento da Internet trouxe aos jovens uma nova sensação de imediatismo, por conta da divulgação instantânea de acontecimentos. Apesar dos benefícios, a rápida e superficial quantidade de informações obtida virtualmente se faz responsável por afastar jovens do exercício tradicional da cidadania política, embora haja uma forte tendência ativista neles.

Inicialmente, o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman dizia que, em ordem de mudar o mundo, os jovens deviam trocar a experiência virtual pela realidade. Isso se dá porque, apesar de seus prazeres, a internet é uma armadilha: a facilidade de encontrar informações em segundos esconde a nova geração de leitores preguiçosos - para esses, não há razão de ler uma notícia na íntegra quando a manchete traz, resumidamente, o tópico a ser tratado. Em virtude disso, o jovem internauta se faz menos interessado por áreas em que estudar, ler, e acompanhar seja imprescindível, como é o caso da política convencionada.

Em contrapartida, o eixo político vai além de toda leitura e interpretação, é através dele que ocorrem os avanços sociais e econômicos tão idealizados pelos jovens. Esse ponto de vista é corroborado pelas ocupações escolares, em 2015 (mobilização estudantil contrária à reorganização do sistema de ensino paulista), que sucedeu de maneira vitoriosa para os alunos manifestantes. Entende-se, portanto, que ao substituir o “ativismo de sofá” - proposto, também, por Bauman - pela ação coletiva e presencial, a população juvenil possui grande potencial no ramo político, ainda que haja dificuldade para inseri-la nesse contexto.

Logo, é perceptível que, a despeito da Internet distanciar a população nova do meio político convencional, a mocidade brasileira pode liderar importantes mudanças no país. Para garantir a participação política do jovem no Brasil contemporâneo, faz-se necessário o recrutamento nos meios mais apelativos para adolescentes, através de anúncios nas redes sociais direcionados à faixa etária de 15 a 22 anos, explicitando, de forma persuasiva, a crucialidade da atuação das novas gerações na missão de melhorar o país. Por fim, a promoção dessas campanhas deve partir de movimentos de renovação política nacional e suprapartidários, como o Acredito, de modo a conectar os recém cidadãos com o exercício de seus direitos políticos. Assim, quem sabe, o Brasil possa superar os desafios trazidos pelo imediatismo, vistos, tanto na Internet, quanto no movimento futurista, e preencher o campo político com a juventude empenhada em seu ativismo transformador.