A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 21/04/2021
Do combate ao regime militar na década de 60 às passeatas pelo impeachment de Fernando Collor em 1992 - ambos os movimentos possuem uma característica em comum: a participação dos jovens brasileiros. Se no século XX - antes da disseminação da internet - essa parcela da sociedade participava politicamente, esperava-se que com o advento das redes sociais, ferramenta capaz de proporcionar interação com indivíduos de diferentes localidades, a mobilização juvenil aumentasse. Contudo, essa situação não tem sido concretizada devido à falta de credibilidade nos mais novos e à carência da educação política nas escolas.
Inicialmente, um entrave para a participação da juventude é a descrença enfrentada por possuírem pouca idade. De fato, ainda há uma parte da sociedade que acredita na insuficiência de conhecimento para a influência dos jovens em temas políticos, o que destrói a confiança deles em iniciar passeatas ou definir posições políticas. Um exemplo desse preconceito ocorreu em 2019, quando a ativista pela defesa do meio ambiente, Greta Thumberg, então com 16 anos, foi chamada de “Pirralha” pelo presidente Jair Bolsonaro ao fazer críticas à gestão ambiental brasileira. Na realidade, discursos realizados para desestimular as ações juvenis são recorrentes, pois há o receio delas serem capazes de mudanças nas estruturas governamentais - como o exemplo do impeachment de Fernando Collor, influenciado pelo movimento dos “Caras Pintadas” - o que não é interessante para a classe dominante.
Ademais, a falta de conhecimento político gera indivíduos sem efetivação da cidadania afirmada pela Carta Magna. Conforme o educador Paulo Freire, sem educação não há a possibilidade de mudanças na sociedade. Sendo assim, sem o ensino da estruturação dos poderes, das competências dos entes federados e dos direitos sociais, os jovens acreditam que participar politicamente é apenas ir às urnas e escolher representantes, porém esse conceito é mais abrangente. Um exemplo da mobilização da juventude que concretiza o termo de participação política, foi a tomada das escolas pelos estudantes em 2015 no estado de São Paulo, quando o governador Geraldo Alckmin ameaçou fechá-las. No fim da ocupação escolar, o governante desistiu de colocar em prática a medida, evidenciando que, com consciência crítica, os jovens podem causar grande impacto social.
Portanto, percebe-se a importância que essa camada da sociedade possui no cenário político atual. Cabe ao Ministério da Educação, reformular a grade currilar do ensino médio, por meio da inserção do ensino político nas escolas - com matérias como análise da Constituição federal, estruturação dos três poderes e formas de participação popular - com a finalidade de incentivar e orientar a participação efetiva dos jovens na política brasileira.