A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 02/06/2021

Durante o período do regime militar brasileiro entre 1964 e 1985, os jovens tornaram-se uma das principais resistências à ditadura ao mobilizar milhares de estudantes para participar da vida política do país. Todavia, apesar do papel crucial dessa parte da população na história de transformações políticas e sociais brasileiras, nota-se, na contemporaneidade, uma participação política limitada e insuficiente dos jovens que, agora, negligenciam e tratam com indiferença às questões governamentais do Brasil.  Por isso, faz-se necessário compreender as causas, bem como as consequências da falta de participação política dos jovens brasileiros no atual contexto.

Primordialmente, é imprescindível entender que a população juvenil brasileira é afetada diretamente pela visão negativa e errônea da sociedade. Subtraindo a força e atuação dos jovens nos momentos de mobilização, como no regime militar de 1964, o preconceito contra esses propagou inverdades, como a incapacidade de participação no cenário político por causa da idade e a desqualificação no que tange às discussões governamentais do seu país. Por essa razão, sendo constantemente desestimulados a participar da política, os jovens acabam por se afastar desse âmbito e evitam cada vez mais se inserir no contexto político brasileiro.

Ademais, devido ao preconceito contra essa população na esfera governamental, adquiriu-se um desconhecimento cada vez mais amplo acerca das formas de participação política. Fazendo uso da sociologia baumaniana, o indivíduo vive hoje em um mundo volátil e essa nova modernidade tem como principal perfil o individualismo humano. Dessa maneira, a ignorância e o afastamento dos jovens na política brasileira têm como consequência o comodismo e o individualismo já que, ao negligenciar-se de discussões que afetam o país inteiro, essa população passa a não se preocupar mais com a sociedade como um todo, preferindo se abster das decisões.

Portanto, a fim de incentivar a participação política dos jovens na contemporaneidade, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela regulamentação e formação de políticas para a educação, a abordagem das questões políticas dentro das escolas, mediante ao treinamento político qualificado de professores no período noturno- para não atrapalhá-los no seu trabalho matutino-, com debates e palestras sobre a importância da participação dos jovens, desde o ensino fundamental, na esfera política. Além disso, com intenção de atenuar o preconceito contra essa população no âmbito governamental, é necessário que os partidos políticos criem cotas para os jovens entrarem nesses grupos, aumentando a participação e mostrando à sociedade a capacidade da população juvenil para atuar na política.